sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Amigos não traem

O ser humano é um ser complicado por natureza. O primeiro problema ou vantagem é sua imprevisibilidade, sua potencialidade para o bem ou para o mal. O ser humano trai, não há um que não tenha traído alguém. Traímos por prazer, esta é a minha conclusão. Por mais que haja outros motivos, este sempre é o principal. Nada como trair a mulher amada. O canalha é um traidor confesso. O prazer que ele sente ao trair é demonstrado para todos. O canalha não esconde que traiu, muito pelo contrário ele esnoba, publica, aumenta sua traição. Em minha opinião o canalha é o melhor de nossa espécie, ele é sincero, um tanto egocêntrico, mas sem nenhum jogo de cinismo. Alias o Cínico sim é uma aberração, não agüento os cínicos.

Pois então o ser humano é traidor por natureza. Mas e os amigos? Até os amigos traem? Por natureza tenho que afirmar: até os amigos traem. Digo isto com pesar em meu coração, mas é o obvio ululante. O ser humano é traidor, não é por que ele tem um amigo, que vai deixar de ser. Basta analisarmos com calma a situação. Eu mesmo não conheço um, nenhum único ser, que não tenha traído. Todos me traíram, amigos, irmãos, conhecidos, inimigos, até mesmo a minha mãe, meu pai então é o maior traidor de todos, namoradas são incontáveis. Alias ser corno é uma questão de tempo. Tome nota disto, mais cedo ou mais tarde serás corno. Seja você um homem bonito, feio, inteligente, ignorante, esperto, bobo, maldoso, enfim todo tipo de homem já foi ou será corno. É uma verdadeira lei da natureza humana.

Agora me veio à memória uma amiga canalha. Isto mesmo amiga, do sexo feminino, ser canalha não é exclusividade dos homens. Os mais machistas até queriam, mas neste mundo pós-moderno o que é exclusivo de alguém. Nem mesmo a canalhice sobrou aos homens. Lembro que esta amiga se chama Patrícia, acho que é este mesmo o nome dela. Não a conhecia bem, só lembro mesmo de sua canalhice. Ela tinha uma grande amiga, acho que o nome dela era Flavia. Conhecia-se há anos, desde adolescência, já eram adultas. O Fato é que elas conheceram Eduardo juntas. ele era um conhecido meu, não tínhamos muita afinidades. Flavia e Eduardo se amaram desde a primeira vez, mas ele namorava, então tiveram de esperar um tempo para ficarem juntos. Neste tempo Patrícia e Eduardo tiveram um caso, nada demais, coisa de adolescentes. Logo depois Eduardo e Flavia namorarem, ficaram juntos durante anos, não chegaram a se casar, só foram morar juntos. Os dois se amavam, não desgrudavam, eram unha e carne. No entanto, como todo relacionamento tiveram crises, em uma dessas crises apareceu à canalha.

Patrícia foi até a casa de Eduardo, até ai tudo bem. Os dois se encontravam sempre, não havia nada demais em nela ir até a casa dele. Só que neste dia, ela estava muito bonita, produzida, gostosa, estava amostra, uma verdadeira tentação. Como se não bastasse a exibição, Flavia provocou e disse: “Eduardo posso te confessar uma coisa? Eu sempre fui louca para transar com você, sempre, desde o dia que eu te conheci”. A carne é fraca, não preciso falar que, Eduardo levou Patrícia para cama, O homem não resisti a uma boa noite de amor, na cabeça de Eduardo ele era livre. No entanto, Patrícia era sórdida, não parava de falar de Flavia, perguntava se ela fazia assim ou assado. Se ela gritava assim, ela era gostosa e muitas outras coisas. Patrícia não parava de falar, como era bom transar com Eduardo e que ela sempre quis fazer aquilo. Por que Eduardo não reagia? Simples ele era homem, só pensava na relação amorosa e nada mais, não pensava naquela hora em Flavia, mal ouvia o que Patrícia dizia. Os homens não pensam em transar com alguém para trair, podem até fazê-lo, mas o prazer com certeza é maior motivo e não a traição.

No entanto, Patrícia só transou com Eduardo, por que ele era namorado de Flavia. Ela queria trair a amiga, simplesmente isto. O curioso é que não havia motivo para isto. Não existia nenhuma falha por parte de Flavia para que Patrícia fizesse isto. Na verdade era apenas a natureza humana se manifestando em Patrícia. Ela só estava deixando os seus instintos aflorarem, nada mais do que isto. Moral da história: os amigos traem. Eduardo ainda chegou a voltar com Flavia, mas o relacionamento não durou muito. Terminaram de vez, um ano depois. Patrícia e Flavia nunca deixaram de ser amigas. Detalhe, a traição nunca foi descoberta.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Como é gostoso ouvir um não

Algumas pessoas não sabem ouvir um não. Outras são mais compreensivas. Algumas até si matam por um não. Não consigo imaginar bem como é isto. Mas vamos lá: Paula fala com João que não o quer. João se mata. Muito surreal. Sinceramente João foi estúpido. Pensando bem, talvez não. Afinal de contas depois que as sirenes chegam é muito fácil julgar. Temos de saber os fatos antes das luzes terem chegado. Não sabemos as confissões e promessas de Paula, se é que houve algo disso. No entanto, só sabemos da morte de João.

O ponto é sabemos mesmo ou não ouvir um não. Mas de fato ouvimos um não? As pessoas dizem muita coisa, na maioria das vezes futilidades, estupidez, sacanagens, besteiras, enfim não é nada aconselhável levar alguém a serio. Os seres humanos não podem ser levados a sério. O grande problema é que isto não acontece, parece que estamos fadados a levar os outros a sério. É como uma correnteza que sempre te puxa, não há como sair. Quando nos damos por si já estamos quebrando a cara com mais uma pessoa. E de fato merecemos, não seguiu a regra básica de convivência em sociedade. Não levar nunca alguém a sério.

Pois bem o grande problema é que um leva a sério e outro não. Daí surge às promessas. Alias é muito fácil prometer algo, quando não estamos falando sério. Prometo-te o paraíso, a lua, o céu, montanhas de ouro, fama, tudo o que você imaginar. Se algum dia se atrever em me cobrar parto lhe a cara. E te digo: você é uma pessoa sã? Parece que não sabe diferenciar. Meras palavras ao vento de algo sério. Alias não existe nada sério seu panaca, asno, Homer Simpson. Ninguém pode ser levado a sério. Nem mesmo a paternidade ou a castidade.

E as promessas onde é que ficam? E as conversas reveladoras onde se diz: que você é o quinto ou quarto cara que ela beija. Os desabafos sobre o pai alcoólatra, sobre a infância traumática onde ela era motivo de chacota. E os desafios vividos e vencidos. As dúvidas e indecisões realmente importantes. A vida dos amigos, dos ex-namorados, das pessoas queridas. Uma conversa sem censura e sem obrigação social. Os futuros encontros, as futuras viagens juntos. O almoço feito por ela, inclusive com o prato já escolhido. Enfim para que este papo todo para no fim dizer, que você é um idiota. Por acaso os panacas tem alguma semelhança física aos psicólogos?

Pra mim esta é a grande questão. Dizer não, de fato. Não é nenhum problema. Alias é saudável dizer não, faz bem ao coração. Eu diria que é até gostoso dizer e levar um sonoro não. Daqueles onde não há dúvidas do ato. Não há o que dizer e nem argumentar. Eu não gosto de vinho. Eu não gosto de wisky. Eu não gosto de mulheres. Eu não gosto de futebol. Eu não gosto de correr. Eu não gosto de culinária. Eu não gosto de chocolate branco. Eu não gosto de você. Enfim eu não gosto e pronto. Sem explicações, sem férula. Não há nada que se lamentar ou reclamar. Cada um tem o seu livre arbítrio de decidir pelo o que quiser. E se isto foi feito as claras não há julgamento e nem explicações.

É justamente este o problema, quase nunca isto é feito às claras. Talvez por crueldade, por maldade, por brincadeira, por não levar nada a sério, por ambigüidade, que é algo inerente ao ser humano. São raras as vezes que alguém age de forma curta e clara, por que não dizer grossa. Alias a grosseria é algo mal interpretado. Mal visto pelos demais. Ela é de fato necessária e quando bem usada muito prudente. O que acontece na verdade é que a grosseria é algo mal empregada, como a maioria dos recursos que nos seres humanos dispomos. E talvez por isso seja mal compreendida. Mas sejamos francos ser grosso na hora certa e correta é muito bom nos da uma ótima sensação de discernimento.

Voltemos à objetividade da ação de dizer um não. Evitamos muitas coisas ao dizer um não bem dado. Como por exemplo, a maldita expectativa. Pois por mais que ela nos parta a cara, não vivemos sem ela. E a vida é assim cheia de glorias e derrotas ou sem derrotas e nenhuma glória. Quando digo nenhuma é de fato um conjunto vazio. É bem simples entender isto, imagine um rosto. Um rosto de um ser humano. Vamos imaginar um rosto bonito. Feio não tem graça. Agora imagine se este rosto nunca sorriu, logo nunca ficou triste. Nunca saiu daquele estado. Permaneceu ali com o rosto fixo. Agora pense o contrário. O rosto sempre sorriu, um sorriso plástico, logo já ficou muitas vezes triste. Se ele sorri hoje é por um motivo, este pode melhorar ou piorar. A proporção de quanto ele sorri e o quanto fica triste vai depender, da sorte de cada pessoa.

Desta forma evitamos expectativas, chateações, magoações, aborrecimentos, desespero, inimigos. É não deve ser nada agradável criar um inimigo. Alimenta-lo e cria-lo para que um dia ele te destrua ou no mínimo te arruinar. É como brincar com fogo. Por estas e outras que digo: “Ouça um bom conselho, que lhe dou graça. Inútil dormir a dor não passa”. Meu humilde conselho é: Diga um não gostoso e sem ambigüidades, um não sonoro. Um não sem dúvidas dos dois lados. Um não sem reclamações. Um não que saia de sua boca como um disparo de uma arma de fogo. Mortal, rápido e indolor. Acerte bem no peito, pra não estragar o velório. Afinal de contas, nada mais humilhante do que ser velado com o caixão fechado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Bocas que nos dão saudade

O amor tem várias formas de ser demonstrado e vivido. Quando digo amor, estou dizendo afeto, carinho, admiração, consideração é claro que isto tem de ser acompanhado de sinceridade. Pois as pessoas vivem elogiando as outras, mas sem nenhuma dose de franqueza. É como solicitar desculpas por pedir, por mera obrigação social. É uma falta de respeito fazer algo deste tipo, não se pode banalizar a desculpa, só se faz isto, quando realmente estamos arrependidos e faríamos algo pra voltar atrás ou minimizar os erros. Mas vamos esquecer este desleixo dos outros e vamos falar do que interessa, se é que há algo que de fato tenha importância.

O que de fato nos ligam à outra pessoa. Um beijo, um abraço, uma conversa amiga, uma relação de interesses, uma noite de sexo, uma paquera, uma aposta, um namoro, um casamento, um filho, um noivado, uma relação de parentesco, uma amizade. Difícil precisar o que liga um ser humano ao outro. É a famosa pergunta e irritante ao mesmo tempo: Quem é você? Um tanto clichê e inoportuna e sem sentido, mas parece ser importantíssima pra maioria das pessoas. O engraçado que esta pergunta não é nada filosófica, muito pelo contrário, ela é bem prática. É algo como de onde te conheço, você é de que família, de onde vem, quem são seus amigos, enfim você é da minha tribo? O que você pensa ou deixa de pensar não faz diferença, isto é secundário as vezes até insignificante. É como o meu amigo, Bernardo, o fora da lei, vive dizendo: Se queremos entender os seres humanos, desista de ler compêndios filosóficos. Temos de ler capricho, lá que esta a resposta.

Não que eu concorde inteiramente de Bernardo ou discorde completamente. Digamos que eu seja otimista quanto ao ser humano e acredite, que cedo ou mais tarde as coisas vão melhorar, só não me pergunte como e quando e nem por onde. Mas enfim fiquei intrigado um dia desses, pois estava conversando com uma “amiga” e toquei no assunto velado ente nós. Perguntei pra ela se na nossa juventude ela já teve interesse por mim, ou seja, se me via como um homem, cheio de testosterona e de amor pra dar. Ela me respondeu com uma pergunta: Já tivemos algo? Eu respondi que se algo é contato físico, a resposta é não. Ela emendou, pois então, se não tivemos nada é por que não te via desta forma. Depois disto nem quis mais render assunto, achei a resposta dela estúpida e o pior como se fosse tão fácil assim, pois até onde eu me lembro, nunca tinha dado nenhuma investida nela e não bastaria ela estralar os dedos para que eu à agarrasse. Mas não entrei neste mérito com ela, não valia à pena. Apenas refleti com os meus botões. E pra ser sincero, atualmente ela não é nada atraente.

O pior era saber que ela, era a maioria, ou seja, a maiorias das pessoas pensavam assim. Se não tivemos um beijo, uma noite de sexo, não houve nada, além da “amizade”. Isto falando por eufemismo. O que me intrigou nisto tudo é que eu não penso desta forma, pra mim uma conversa amiga ou mesmo uma discussão pode significar muito mais do que uma noite de sexo. Quanta vez se esqueceu o nome de uma mulher com quem se transa a noite toda. Acho que isto acontece com muitas pessoas. No entanto, uma conversa amiga jamais se esqueceu o nome da pessoa. Uma paquera de fato, mesmo que no fim seja mal sucedida. Nunca cai no terreno do esquecimento, do vazio, do que de fato nem existiu. Os amores para serem lembrados, não dependem do sucesso que tiveram e sim da intensidade que foram sentidos. Lembrar de bocas que nunca foram beijadas não é nenhuma vergonha. Pelo contrário, mostra que estamos acima do contato físico, que ligamos para os sentimentos. Desta forma estendemos os nossos sentidos além dos cincos, que não é nenhuma exclusividade de nossa espécie.

E tudo é momento, o grande segredo é lembrar com carinho dos bons momentos. É como tomar uma boa garrafa de vinho, não importa se é Chileno, Francês, Australiano, Português, Argentino, Brasileiro, Italiano. Muito menos o tipo de uva Merlot, Carbenet Sauvignon, Pinot Blanc, Riesling, Malbec. O ano de safra também não importa. De nada adianta tomarmos uma boa garrafa de vinho, se não sabermos saborear, vivenciar o momento, com as pessoas daquele instante. Quem conhece a arte do vinho, entende do que estou falando. O grande segredo não é o que de fato aconteceu e sim o que de fato você sentiu. Isto me parece fazer muito sentido, pelo menos por enquanto.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Totalmente satisfeito

Depois de certo tempo de experiência de vida, você passa a refletir muito sobre tudo. Tomar uma atitude, agir, ação já não é tão importante assim, isto é tarefa para os jovens. Mas me impressiono como tudo é motivo pra reflexão depois de certa fase. Qualquer dialogo, gesto, sinal, luz, outdoor, fato, filme, livro, aborrecimento, briga é motivo para pensar. Penso no sentido de tudo e quanto mais faço isto, menos entendo. Na verdade não me incomodo, não sei mais se faz sentido entender algo.

Um dia desses refleti sobre algo que sempre reflito. Estava pensando sobre o ponto ideal, sobre o ápice, o Ph ótimo, o auge. Estive pensando que nunca chego lá. Sempre me falta algo e se eu tenho o que me falta sempre há um defeito ou engano. Não consigo sentir totalmente satisfeito. Sempre falta algo, nem sempre é algo desastroso, mas a cereja do bolo nunca esta lá. É a pincelado final, o toque do goumert. É o que nos faz dizer este filme é de tal diretor, este texto é de tal autor. É a nossa singularidade. Neste caso é a minha satisfação total, é o que o meu ego quer ouvir, ter, sentir, cheirar, tocar, ver, imaginar, mostrar, exibir, deslumbrar, saborear. E isto é, um processo bem único.

A cada nova experiência tenho a certeza de que irei me sentir satisfeito. E isto é quase sempre tão certo, tão garantido, que nunca duvido que vá acontecer algo para me atrapalhar. Não lembro que sempre tem alguém, pra comer a cereja do seu bolo. Parece que alguém sempre tem o prazer de estragar o seu deleite máximo. No entanto, sempre acredito que desta vez vai dar certo, tudo indica que estou no traçado correto. E na hora de ver o bolo a cereja nunca esta lá, já foi comida. Como tenho as fraquezas de todo homem, como o bolo. Mesmo que ele esteja um pouco amargo, azedo ou até mesmo sem gosto. E sem estar totalmente satisfeito acabo aceitando as minhas “vitórias”, meu consolo sempre é a próxima batalha.

Acho que isto não acontece só comigo, vejo outras pessoas reclamarem de coisas parecidas. O próprio consumismo parece muito se com isto. Compramos para completar o que nos falta. Não importa que seja um tênis, uma blusa, um sofá, um aparelho celular, uma televisão, um notebook, um carro, uma casa, um iate, um jatinho, um barco. Enfim a lógica é bem simples compro algo e irei me sentir satisfeito. Isto não dura por muito tempo, é claro que varia de pessoa para pessoa esta duração de felicidade completa ou satisfação máxima. O interessante que basta este sentimento terminar, compramos outra coisa e logo o temos novamente.

Pode ser que isto funcione para alguns. Outras pessoas não são necessariamente consumistas, poucas é verdade. Mesmo os consumistas um dia descobrem que não é isto a cereja do bolo. Na verdade este é o grande problema, distinguir o que realmente falta e o que não mudaria em nada. Sinceramente meu longo tempo de reflexão ainda não conseguiu clarear o que seria este toque final. Mas por ser algo bem pessoal e singular talvez seja impossível fazer alguma distinção. Pra alguns pode ser um prato de comida feito por alguém especial, para outros pode ser o filho que não vem, pra uns pode ser uma viagem ainda não realizada, uma conversa amiga com alguém especial.

Enfim pode ser tanta coisa, pode ser simples, difícil, demorado, rápido. Poder ser muito possível ou quase impossível e talvez não seja bem isto que faltava.
Este ponto chega a ser dramático, quando enfim chegamos ao objetivo “final”. Descobrimos que não era bem isto que faltava, o que fazer? Tentar de novo é que sempre fazemos. Ficamos um tempo farejando o que pode ser e quando temos o mesmo sentimento de certeza, lá vamos nós novamente atrás de nossa cereja. E nestas inda e vindas, apagamos as frustrações da memória e vamos em frente. Às vezes com o espírito cem por cento renovado, outras nem tanto. Com o tempo nos acostumamos com esta rotina de farejar, lutar, conquistar e nos frustrar. O que me pergunto agora é se realmente existe a satisfação máxima é como dizem: existe ou não o ponto G das mulheres?

Partindo de mim como princípio, sem maiores pretensões de ser o exemplo. Não consigo dizer se realmente existe a satisfação máxima, pra mim sempre faltou algo, nunca disse a mim mesmo: “Perfeito, não precisa mudar mais nada”. Sempre há algo pra melhorar, pra não ficar na inércia de não produzir nada acabo publicando e que se danem as críticas. É única forma que consigo encontrar para viver, para experimentar, vivenciar, deleitar. Se não fizer isto, não faço nada. Preciso dizer que se dane a minha satisfação completa. Esta não é a mulher que eu sonhei, mas é com ela que vou sentir prazer. Este não é o emprego dos meus sonhos, mas é com ele que vou viver a minha vida comum. Este não é o restaurante dos meus sonhos, mas é o que eu posso pagar. E quem disse que eu preciso do melhor pra me sentir bem, talvez eu esteja me enganando pra viver ou estou apenas sendo uma pessoa sensata.

Esta história toda me fez lembrar do episódio que presenciei. Uma linda garota que eu conhecia, namorava um rapaz. Eles se conheceram de forma meio atabalhoada, se não me engano em uma estação de metro ou na espera de uma consulta médica ou odontológica, enfim os três casos são um tanto inusitados. Mas isto não importa muito, o que interessa é que eles gostaram um do outro, a conversa fluiu e o beijo foi natural. Logo viraram namorados, unha e carne. Era incrível o amor dos dois. Tudo se encaixava perfeitamente, dava até inveja em ver um casal tão feliz. No entanto um dia o belo rapaz conheceu uma moça, foi no local de trabalho, mas mesmo assim eles trocaram um beijo, somente um beijo, demorado de uns três minutos. Foi um tanto embaraçoso, pois logo depois do beijo a namorada do rapaz estava lá o esperando. Ela não viu nada, apenas ficou com ciúmes da moça, pois esta muito bonita.

Depois disto o rapaz continuou procurando a moça, mas ela o evitou, sabia do namoro e não queria ser a outra e nem atrapalhar aquele lindo casal. Mas nestas investidas do rapaz, ele acabou a fazendo conhecer um colega deste rapaz. Logo o tal colega investiu na garota e estava com ela. Os dois também se amaram loucamente, logo casaram e eram felizes, apenas não foi pra sempre. O rapaz ficou sabendo que o seu colega casou com a garota. Ele continuava tendo o seu namoro quase perfeito, mas ficou intrigado com o casamento da outra. Foi atrás dela e se tornaram amantes, foi por pouco tempo, logo os dois falaram aos seus respectivos parceiros o que estava acontecendo e decidiram terminar as relações para ficarem juntos.

Depois ocorreu o inverso, os amantes, que se tornaram os legítimos foram traídos pelos traídos. Na verdade não foram traídos, pois não estavam mais juntos, mas a moça traída ficou com o colega traído. Logos os “traídos” resolveram a voltar tudo como estava, voltaram para os antigos parceiros, mas logo depois tudo acabou. Enfim era a busca do totalmente satisfeito, nenhum dos quatro envolvidos chegou neste ápice. Quando pensavam estar lá, tudo desabava e começavam de novo, tentaram entre eles de todas as formas possíveis algo de que desse certo, não foi possível. Eu vou continuar farejando, conquistando e me frustrando, não me importo.