sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Suor do amor

O meu amigo Bernardo, o fora da lei, me disse algo interessante.Estávamos nos dois divagando sobre a vida. Era um papo depressivo, sobre como às vezes tudo é tão tedioso. Ele disse algo conclusivo, crucial. Como costumo dizer: "É um grande defeito ser crucial".Respostas prontas, não nos levam a nada. Ao contrário do que muitos pensam, frases de efeito é uma grande porcaria. No entanto, ele disse:"No fim viemos todos do barro, ou seja, da terra. E pra lá retornaremos.". Bernardo não estava dizendo apenas do sentido de nossa constituição física, ela estava pensando em algo mais filosófico.Pois, quase sempre somos a mesma mesmice.

O mais espirituoso é que são as pequenas diferenças, que mudam tudo. Mesmo que sejamos da mesma merda. Em Amsterdã você compra cerveja no cinema. E toma numa caneca de cerveja, não em um copo de papel. EmParis, a McDonald´s vende cerveja. Lá o "Quarteirão com queijo" não é chamado assim. Por conta do sistema métrico lá este sanduíche é chamado de "Royale com Queijo". O "Big Mac" é o "Le Big Mac". Em Amsterdã se um tira te para é ilegal ele te revistar. A polícia de Amsterdã não tem esse direito. Estas pequenos detalhes fazem toda altercação. Pelos pequenos detalhes, você sabe se uma mulher sabe fazer um bom sexo oral apenas pelo jeito que ela chupa um sorvete.Sei que os idiotas da objetividade iram falar que um copo de plásticoou uma caneca de cerveja, não fazem diferença nenhuma em nossa vida.

No entanto, vou ficar com o meu amigo Nelson. Lembro bem dele discorrendo sobre o espartilho. A diferença que fazia o espartilho na vida das mulheres e dos homens. A diferença que isto causava na nudez,na traição, na vida sexual dos casais. Uma mulher pra trair um homem antigamente tinha de retirar o espartilho, dependendo da situação ela desistia só de lembrar-se do trabalho que teria para retirar aquela peça de roupa. Hoje em dia, as mulheres andam quase que nuas. Não há nem surpresas na cama. Enfim, tudo mudou após a decadência do espartilho.

Temos a sensação de que grandes feitos dependem de grandes ações, de obras e movimentos faraônicos. Isto pode ser uma das maiores ilusões óticas de toda história da humanidade. Experiência pessoal é algo que serve de bom parâmetro para analisarmos as coisas em uma visão macro.Assim fez Roland Barthes em seu livro "A câmera clara", onde teceu asmelhores definições sobre fotografia e as mais bem aceitas no meio, partindo do ponto de vista pessoal. Por isto, penso que o meu e o seu ponto de vista podem ser ótimas ferramentas pra dizer sobre vários assuntos.

Voltemos ao assunto sobre os grandes feitos. Grandes ações não significam grandes realizações. Muito pelo contrário, pequenos gestos,movimentos, palavras podem causar uma revolução ou uma grande mudança,que às vezes não e nem percebida. Justamente este é o ponto, não é porque a mudança foi pequena, quase nanica. Isto não quer dizer, que ela não tem importância. Alias mensurar que é importante e que não é. É uma tarefa no mínimo bem difícil.

Se observarmos as sutilezas com profundidade iremos perceber a riqueza de viver. Apesar dos pesares viver é algo muito intenso e necessita de entrega. Alias não existe discurso mais chifrinho do que dizer: "Eu não me estresso com nada, se é pra ser vai ser". A vida precisa de entrega, de dedicação, de suor, de garra, de luta, caso contrário você ira passar. Como diz o grande Mario Quintana: "Todos esses que aí estão. Atravancando meu caminho. Eles passarão...Eu passarinho!". No pain, no gain. Apenas os objetos sem vidas podem ser dar este luxo de não lutar. Nem mesmo uma flor tem este luxo. Ela precisa sofrer, de lutar e de garra para sobreviver e se multiplicar.

No entanto, pra nos darmos bem precisamos prestar atenção nos detalhes. Nas sutilezas, nas palavras, no olhar, no gesto.Reconhecemos um amigo há centenas de metros apenas pelo jeito dele andar. Reconhecemos um amor de verdade apenas olhando nos olhos dela.Existe maior prova de amor do que o suor do amor. Nada mais significativo do que estar abraçado com o seu amor, todos os dois nus.E suados, muito suor. Depois de fazermos amor, suamos. O significado do amor esta ali no suor dos dois. Na entrega de um para o outro.Neste momento não existe o sentimento de culpa ou vergonha.

O mais estupido é que as diferenças não são sentidas ou no mínimo são ignoradas. As pessoas tendem a pensar que um bifé frito no óleo ou no azeite não faz muita diferença. Outras pensam que qualquer azeite pode ser usado pra fritar um bifé. Uns pensam que pra corremos, qualquer tênis serve. Outros pensam que nem é preciso de um calçado especifico.Alguns pensam que não faz diferença o suor do amor. Outros pensam que tanto faz se esta tocando blues ou jazz, no fim são vibrações sonoras de alguns instrumentos musicais. Levar tudo com a mesma seriedade ou com nenhum empenho faz com que tudo seja a mesma mesmice. Depois de um tempo nos vemos perguntado: Que sentido tem a vida.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

É o que eu sei fazer

As pessoas têm uma constante desculpa no dia a dia e ao longo das suas vidas, os criminosos em especial usam este pretexto com mais freqüência. Vou me utilizar principalmente destas pessoas “criminosas” para falar o que eu sei. Confesso me intriga o crime e mais ainda os criminosos. Fico pensando o que separa os bons dos maus ou os dentro da lei e os foras da lei. Por que um não é necessariamente bom e o outro não é de fato mau. Acredito que esta separação é um pouco mais complexo do que o nosso código penal. Mas sempre penso, seria eu algum dia um criminoso? Será que nunca vou cometer um homicídio? E afinal de contas o que é um crime.

Não consigo concordar que crime seja apenas o que esta no código penal. Afinal de contas, estes crimes variam conforme o tempo e a circunstância. Matar pode deixar de ser um crime, basta pensarmos na guerra. Para efeitos práticos é claro, devemos adotar o código penal e não discutirmos. Mas enfim o criminoso contumaz sempre vai dizer: “É o que eu sei fazer”. Isto acontece com outras profissões também, advogados criminais, jornalistas de tragédias. Enfim é o que eles sabem fazer. É o que eles sabem ser. È justamente isto, que não entendo. Qual atitude pode ser tomada com uma pessoa que só sabe fazer aquilo? O que fazer com um profissional, que teve sua profissão extinta? Enfim é o que fazer com o lixo humano.

Sempre me incomodou o crime perpetuo, ser condenado pela eternidade ou pro resto da vida, não deve ser nada confortável. Imagine o relato de um homem depois de morto, digamos que este homem foi condenado a prisão perpetua aos vinte e um anos. Então ele conta uma história mais ou menos assim: Tive uma infância ruim, fui criado por péssimos pais e logo me abandonaram, depois morei na casa de vários parentes. Aos quinze anos não sei por qual motivo, já me virava e não tinha casa. Não tinha estudo algum, acredito que parei na quinta série do colegial. Conhecia os marginais do bairro e convivia com eles. Naturalmente cometi alguns delitos e aos vinte um anos cometi um grande crime. Fui condenado à prisão perpetua e morri aos sessenta e quatro anos. Alguns funcionários da penitenciaria compareceram ao meu enterro e foi só. Não deixei filhos, não escrevi nenhum livro ou mesmo algumas páginas, nunca trabalhei e nem mesmo um lápis eu construí. Enfim o mundo não percebeu a minha chegada e nem a minha saída. Sou um eterno criminoso.

No final das contas a condenação perpetua é mais comum do que imaginamos. Quantas pessoas eu já condenei eternamente. Garanto que foram muitas. Algumas nunca mais troquei nenhuma palavra. É o que eu chamo de silêncio perpetuo. Outras pessoas foram condenadas como os chatos perpétuos Enfim as condenações são diversas e são feitas de várias formas. Mas qual é lógica da eterna condenação? O erro eterno, isto existe? Penso que todo erro tem sua conseqüência, mas ela não pode ser algo infinito. Além do mais é muito fácil resolvermos os nossos problemas desta forma. Defeito de fábrica, solução simples: Joga fora.

É o que eu sei fazer. Justifica-se tudo assim, de uma forma simples e objetiva e isto serve para todos os lados. Para os criminosos, os trabalhadores, os malandros federais, os digníssimos magistrados, a sociedade. Enfim é o que eu sei fazer. Sei matar, sei roubar, sei condenar, sei prender, sei escrever, sei tirar fotos, sei fofocar, sei imitar, sei mentir, sei dizer bobagens, sei vender o meu corpo. Vamos jogar todos os nossos erros em nossa incompetência de mudar? Somos mesmos limitados assim? Isto me cheira a comodidade. É muito mais cômodo continuarmos o que está por ai, mudar a pergunta é muito mais complicado, que a resposta.

É engraçado eu não sei o que fazer, não sei como me comportar. Na verdade me perco no mundo das certezas. O mundo é cheio de verdades e de soluções corretas. Não há dúvidas do perigo que um criminoso pode trazer. Afinal de contas antes de ser criminoso, por mais reincidente que seja a pessoa. Um dia ela foi um cidadão de bem. E o que fez esta pessoa mudar? Onde é que erramos se é que houve algum erro. Afinal de contas os criminosos são de certa forma admirados. É uma admiração discreta e velada, disto não há dúvidas, mas ela existe esta lá. Basta uma observação mais atenta.

Vem-me na memória agora o grande falsário Frank Abagnale Jr é inegável que ele tem admiradores por todo o planeta. E qual é o motivo dele ter pessoas que o admiram? As grandes fraudes que ele cometeu ora bolas. Este é o único motivo. Ele escreveu um livro sobre suas arte-manhas, vendeu milhões, virou um filme de um famoso diretor e ainda por cima ganhou milhões prestando consultorias de como evitar fraudes. E aquela famosa frase: “O crime não compensa”. Acredito que não deu muito certo com Frank esta máxima. Aos malandros federais muito menos.

E no final das contas, é melhor ganhar dinheiro fácil ou com muita dificuldade? Prefiro a lei do menor esforço, quem prefere o maior desgaste possível ou não é filho de Deus ou não tem amor próprio. E justamente isto que o crime oferece: dinheiro fácil, vida boa, status social, respeito e temor. No fim das contas é o que todo mundo quer ter. Acredito que ser criminoso não é tão desejado ou tão concorrido, por causa do medo. Afinal de contas o crime é perigoso. O bom criminoso sabe que mais cedo ou mais tarde ele será preso. Não por que a policia seja eficiente, mas é aquela velha história. O policial pode errar mil vezes, o criminoso não pode errar nenhuma. Quanto isto acontecer ele é preso e o policial é o herói. Enfim as pessoas no geral são medrosas e não querem correr riscos ao nível de um criminoso. Além do mais a vida na prisão pode ser terrível para a maioria dos cidadãos de bem. Fica então a pergunta não somos criminosos por que não queremos ou por que não sabemos fazer.

Parece que no mundo das verdades, tudo se tornou muito confuso. No fim temos que escolher uma profissão, uma forma de ser no mundo. E quando digo ser, leia se grana. Pois é isto que nos faz ser alguém. Nossos valores são calcados nisto e se há dúvidas, basta fazer o teste. Saia de casa sem a sua preciosa carteira e me diga como foi o seu passeio. Estas imposições de vida, que são barreiras intransponíveis e nos obrigam a ser alguém e fazer algo. E na corrida da vida só importa chegar até o final. Não adianta, temos prazos a cumprir, contas a pagar, cadáveres pra enterrar, filhos pra criar, monografias por fazer, vestibular pra passar, emprego pra viver. Enfim, é o que eu sei fazer ou é o que tenho de fazer.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Match Point

Tem coisa que a gente lê ou vê e que ficamos no mínimo fascinados. Assim foi comigo quando vi a seguinte citação: ‘O homem que disse: prefiro ter sorte a ser bom. Entendeu o significado da vida”. Fiquei deslumbrado com a frase, totalmente apaixonado pelo sentido. É no mínimo sensacional tal pensamento é desesperador também, confesso. Afinal de contas, confiar nossa vida inteira na sorte é algo no mínimo arriscado. Quer saber, que se danem os riscos, sempre fui um jogador. Por que não vou jogar com a vida.

Há momentos em que a bola bate no topo da rede e por um segundo ela pode ir para o outro lado ou voltar. Com sorte, ela cai do outro lado e você ganha. Ou talvez não caia e você perca. Neste caso estou falando do tênis. Mas há vários jogos em que é assim, uma questão de sorte, Pura e simplesmente sorte. Vamos pensar no poker. Digamos que a mesa esta com uma aposta alta, a ultima do jogo, um all - in. Restam dois jogadores o primeiro apresentou um four of a kind. Uma jogada quase imbatível no poker o outro tem um dez, valente, dama, rei todos do mesmo naipe, copas. Para um royal flush, a combinação mais alta do jogo, o jogador precisa de um as de copas. Enfim, ele precisa de sorte. Pra qual lado a bola vai cair, vai depender da sorte do jogador.

Isto é muito simples quando estamos falando de jogos, literalmente. Um jogo simples e visível. Poker por mais dinheiro que envolva é bem claro seus limites, assim como os outros jogos. É palpável o seu inicio e o seu fim, independente do resultado final. Sabemos que era um jogo. Mas no nosso dia a dia, este jogo não é claro. Muito pelo contrário, ele é velado, sujo e escondido. É um jogo onde as trapaças são permitidas e não existe o fair-play. Neste caso é feio jogar com sinceridade. Este é difícil de engolir. Pensar que entramos em uma faculdade, nos dedicamos cinco anos pra nos formar, sem contar o tempo do colegial e do cientifico. São no mínimo quinze anos, para no fim a sorte decidir por nós.

Não estou dizendo que não precisamos de dedicação, claro que precisamos disto. Para chegar ao Match Point é preciso suar, mas neste momento, esqueça o seu merecimento, você vai precisar é da sorte. É assustador pensar, que nossa vida é guiada pela sorte e não pela nossa vontade e feitos. Escrito por Deus, diriam alguns com mais fé. É um bom jeito de sair da mediocridade. Pensar que nosso destino é assim, que fizemos o que podíamos, sorte não nos faltou, mas no fim era para ser assim. Alias não acreditar na sorte é um dos maiores motivos para não termos. Afinal de contas, merece sorte um sujeito que não acredita nela.

Subir na vida do único jeito que pode é ter sorte. Vamos pensar num exemplo prático. Ronaldo Luis Nasário de Lima, mais conhecido como “Fenômeno” para os mais íntimos “Fofômeno”. Ele hoje é rico, famoso e pode fazer o que bem quiser de sua vida. Já estava esquecendo de mencionar, ele tem contrato vitalício com a toda poderosa Nike, nem mesmo o meu amigo Jó Soares conseguiu tamanha proeza. No entanto, vamos pensar, ele é tão brilhante assim? Ele realmente joga tanta bola, que justifica tamanho sucesso e estrondo? Com certeza não. Com fidúcia há muito bons como ele. No entanto, ele teve o fundamental. Ele teve sorte, fez os gols que devia, na hora certa, no momento certo, Enfim ele não desperdiçou sua sorte e muito menos duvidou que precisasse dela. Hoje ele é o Ronaldo, eleito três vezes o melhor do mundo, o maior artilheiro em copas do mundo e etc.

Acredito que a sorte é importante em tudo. Já sei, muitos vão dizer: “Não creio em sorte. Só trabalho duro”. Eu vou replicar: “Trabalho duro é essencial, mas todos temem admitir a importância da sorte”. Para mim é justamente este o ponto. É muito duro admitir que a mulher que você é casado há trinta anos, ficou com você, por que os pais dela não aprovaram o namoro anterior. Para ser mais preciso o primeiro namoro dela. O seu foi o segundo e ultimo. Caso contrário, você teria casado com outra e o casamento poderia não ser tão bom quanto o atual. Definitivamente, isto é uma questão de sorte. E os seus três filhos com a sua esposa, teriam os mesmos nomes, o mesmo jeito, as mesmas dúvidas. Enfim é difícil assumir, mas dependemos muito mais de fatores externos, do que internos para termos a vida que temos hoje. E isto se resume a uma única palavra: sorte.

Ter consciência de como a sorte nos afeta. É o mesmo que uma mulher bonita pensa sobre os seus efeitos sobre um homem. Algumas jogadas favoráveis e você pode vencer os melhores. O grande problema é identificar se tivemos ou não sorte. Este é o ponto crucial. A sorte, assim como tudo é ambígua, confusa e sem explicação. Nem sempre ou quase sempre você não vai saber se ganhou ou perdeu. Como já disse, no jogo da vida as delimitações não são claras, não há nenhuma faixa de cal determinando onde começa e acaba o campo. E o apito do juiz nunca é ouvido. O bom senso ajuda, mas não é trivial. O que se pode fazer é reconhecer a sorte e preferir que ele jogue a seu favor.

Esta no lugar errado na hora errada pode ser terrível. O grande problema é saber se isto, aconteceu mesmo. É como já disse Sófocles: "Jamais ter nascido pode ser a maior dádiva de todas". Pensar no obvio ululante é mais difícil do que se pensa. O que acontece quase sempre é pensarmos como panacas. No entanto, acreditamos que estamos pensando pra onde o nariz aponta. Conte com a sorte e não reclame se ela não vier.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Adaptação

Há fatos e sentimentos que ninguém nos tira. Não é preciso que a sua musa te corresponda pra que você ame-a. São incontáveis os poemas, músicas, monumentos, expressões artísticas feitas para uma mulher, que nunca se beijou e nem mesmo chegou a corresponder tamanho afeto. Deveríamos fazer o que com estes versos não correspondidos? Jogar fora? Assim ninguém descobre tamanha tragédia em sua vida. Penso que não, penso que Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, Chico Buarque, Caetano Veloso, e entre outros gênios devem publicar suas confusões amorosas independente do resultado final.

Penso que tudo pode mudar e acredito muito naquela máxima: “Nada é tão ruim, que não possa piorar”. Isto se encaixa perfeitamente em tudo o que podemos presenciar. Por isto viva o momento, viva o beijo, viva o segundo. O próximo pode ser horrível. Enfim adaptação ao novo é realmente difícil, ainda mais quando o novo é confuso ou no primeiro momento é bem pior do que o velho. Se lembrarmos da máxima, que as coisas sempre podem piorar, talvez aceitaremos as mudanças com mais facilidade e tentaremos nos readaptar o mais rápido possível. Bundão! Devia voltar a correr...8km por dia. Enfim as coisas sempre foram uma mutação constante ou como gostava de dizer o meu amigo Raul: “Esta metamorfose ambulante”.

Gostaria de entender por que não podemos simplesmente partir. Isto mesmo, partir, como tudo aconteceu, sem maiores respostas e sem maiores explicações. Afinal de contas, quando as coisas começam ninguém explica por quê. Engraçado mas isto é bem aceito por todos, mas o final, este é imperdoável. Deve haver explicações, caso contrário foi falta de inspiração ou é uma verdadeira canalhice. Fico me perguntando, por que um filme não deve explicar o seu início? Por que apenas o final deve fazer sentido? Alias quando alguém não gosta do final de um filme, isto é motivo suficiente para não gostar de todo o resto. Pra mim o início deveria ter sentido e não o final, depois que acabou, pouco importa.

No entanto o ser humano é persistente, principalmente com os erros. Parece que gostamos de carregar o sentimento de culpa, é algo similar ao que acontece em “Crime e Castigo” de Dostoievski. Enfim é a vantagem de errar, nos sentimos culpados começamos a refletir sobre as nossas atitudes, ficamos bons por um tempo e depois erramos novamente. É o que eu sei fazer, diriam alguns, não os culpo. Instinto e natureza são coisas que quase nunca mudamos.

Engraçado, estes dias vi a minha única leitora. Lá estava ela linda como sempre, sorridente e como sempre com ótimos papos. Daí ela falou comigo sobre algumas publicações minha, ela falava de coisas que eu não entendia. Daí pensava caralho eu escrevi isto? Sei que conclui que eu não me entendo, ou seja, não entendo o que eu quero dizer na maior parte das vezes. Engraçado é que a minha única leitora pensa que eu escrevo com lucidez, que entendo tudo o que falo. E na maior parte das vezes não entendo nem o início. Minha única leitora nem leva a sério a minha frase: “Sou um clichê ambulante”. Enfim, melhor deixa-la iludida, por que não?

Estive pensando sobre ser escritor, enfim não sou bom, no máximo sou medíocre. Mas não era sobre a minha qualidade técnica que estava ponderando. Meus pensamentos eram sobre como isto é importante pra mim, mesmo tendo uma única leitora, mesmo sendo mediano e sem nenhum bônus por isto. Isto é trivial no momento, parece que faço isto há anos. Daí conclui que isto já me aconteceu várias vezes e acontece o mesmo com outras pessoas. Vemos-nos preso há algo que nunca esteve em nossas vidas. Há coisas que uma semana ou duas semanas atrás, nem sequer sabíamos da existência. Daí isto é trivial pra nossa existência, algo que há pouco tempo era totalmente sem importância. Vai entender estes seres humanos.

Enfim temos que saber nos desligar. Às vezes gostaria de ser assim como um PC, TV, geladeira, carro, ou seja, uma maquina qualquer, que basta desligar e pronto. Tudo se foi, não há o que pensar ou mesmo o que fazer. Enfim ontem eu era um publicitário famoso, um atleta olímpico, um poeta, um apaixonado, um assassino, um criminoso, um político. Hoje eu sou um carteiro, um policial, um professor, um bom vivan, posso me adaptar há qualquer coisa, nada me impede que eu desligue. Posso dormir a qualquer hora e acordar em qualquer momento que desejar. É dizer o “foda-se” em qualquer momento, em qualquer lugar, em qualquer situação. É ver pessoas mortas o tempo todo. É ter um final definitivo.

Justamente este o ponto, quando é o fim? Tenho uma tremenda dificuldade para identificar quando é o final. Alias de todos os amores que vivi isto é algo que penso sempre. Será hoje a ultima noite de amor, o ultimo beijo, o ultimo abraço, a ultima conversa sincera, o ultimo olhar de carinho, enfim quando é o fim? Não consigo aceitar a máxima: “Nunca sabemos quando é o fim”. Pra mim isto é conversa de derrotado. Eu sei quando é o fim, quando é o próximo passo. Eu não me nego, não escondo o meu destino.

Reconheço que adaptação é um processo profundo. Não é como um pires raso que transborda. É algo que necessita de pouca memória. Caso contrário será vergonhoso a sua adaptação. É como fugir. E não gostamos de fugir, isto não condiz com a cultura social. No fim temos de fazer algo simples é mais fácil viver assim. No entanto, isto é só para quando estamos maduros. Viver é perigoso. Como sempre, não estou conseguindo dizer o que eu quero. Estou tentando adaptar os meus pensamentos para esta publicação, mas não sai nada. Tento colocar um final e como sempre não sei quando é o fim. Nada acontece no mundo real? Pessoas são mortas todos os dias. Diariamente alguém é traído, corrompido, enganado. Enfim, fatos não faltam o problema são os roteiristas ou escritores. Posso amar quem eu quiser. Se me acharem patético. Isto é problema deles, não meu. Você é aquilo que ama, não quem ama você. Foi o que eu decidi há muito tempo.