sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Fome de amor

A vingança é um prato que se come frio. Não há frase mais realista do que esta e nós seres humanos levamos ela muito a sério. Arrisco dizer, que ela é mais levada a sério do alguns mandamentos como: não mataras, não desejara a mulher do próximo. A vingança é algo tão procurado pôr nós, que somos capazes de tudo para executa-la, 11 de Setembro é um exemplo da vingança ao extremo, a invasão do Iraque é outro. Não importa o tempo e os fatos que já se foram, a vingança nunca é deixada de lado. Ela se come frio, mas com gosto. A Segunda guerra mundial começou pôr vingança ao desfecho da primeira guerra, conhecida pelo eufemismo de revanchismo Alemão, o nome correto é vingança Alemã.

Hitler não era um brilhante demagogo e muito menos tinha uma boa oratória, qualquer idiota era capaz de fazer o que ele fez, pelo simples argumento da vingança. Nenhum filosofo, intelectual ou operário precisava algo mais para se convencer da destruição do mundo, para no fim sentir que enfim cumpriu a vingança que lhe cabia. Hitler só foi um idiota, que estava no lugar e na hora certa, para fazer toda aquela bobagem. Em nome da vingança. Uma mulher é capaz de dormir com o melhor amigo do marido, para se vingar de algum deslize dele.

Na lógica da vingança, não importa o que se faz e nem as conseqüências de suas ações, o que importa é o resultado da sua tão planejada vingança. Alias ela deve ser sempre planejada, nada de fazer as coisas de cabeça quente, tudo é meticulosamente calculado, pensado, repensado, cada passo é medido, cada gesto é premeditado, cada palavra é vigorosamente pensada e calculada, cada grito, cada sussurro, cada gemido, cada dialogo. Tudo esta ali, dentro do enredo, nem o cinema é capaz de ser tão meticuloso. Na lógica da vingança o que importa é que no final se coma frio.
Vidas são dispensáveis, sentimentos são desprezíveis, nada vale mais do que a vingança, nem mesmo grana, fama, nada. O absoluto é a vingança para no fim nos sentirmos vingadores. Não importa que você seja preso, que tenha matado um pai de família, que tenha provocado mais tristeza. Lembro de uma história em que a mulher para se vingar do seu marido, esquentou na calada da noite, um litro de óleo e depois despejou tudo no ouvido do esposo. Segundo ela, ele a traia com a sua vizinha. Fato que nunca ficou devidamente comprovado, só temos o cadáver do marido, que morreu de uma forma, que ninguém em plena sanidade mental desejaria morrer.

Não lembro por que comecei a falar sobre a vingança, acho que foi pela frase, que merece ser repetida: “A vingança é um prato que se come frio”. Esta frase é tão completa, que não precisa de se dizer mais nada. Podemos até dizer que se trata de uma teoria, de uma tese, de uma verdadeira afirmação científica. Então pensei que fosse, bom começar pôr ela. Não que eu seja vingativo ou que tenha sido vingado, nada disto. Falei por falar, mero desperdiço de tempo. Alias na velhice o tempo é farto, sobra-se tempo, eu poderia até vender o meu excedente, ganharia uma boa grana. No entanto, ninguém quer o tempo de um velho.
Queria citar outra frase também, acho que Nelson nunca a disse por não conhece-la, ela é perfeita para Nelson em sua luta contra os idiotas: “Se você acredita em tudo que lê é melhor nem ler”. É uma frase bem amarrada, acho que não precisa explicar muita coisa, tudo bem que o idiota não vai entender e vai continuar acreditando em tudo que lê. É pôr isto, que não acredito em mim, só escrevo coisas da minha cabeça delirante, que cria um mundo paralelo para no final estar com razão.
O pior não é viver nesta loucura da razão pela razão. A tragédia é Ter seguidores, milhares deles, alucinados, sedentos por uma palavrinha sua, por um conselho, por um pitaco. Até mesmo um palavrão esta valendo, na falta dele um em boa hora, que vira embora. É a fome por algo a escutar de um idiota qualquer. No meu caso, não tenho milhares e sim uma única leitora, que morre de amores por mim ( Apenas de forma platônica ), ela me liga pra escutar qualquer coisa minha e não importa o que eu diga, o que eu pense, tudo é bonito, lindo, maravilhoso. Estou sempre certo e sempre digo a ela, minha única leitora, palavras de conforto, que ela não se cansa em escutar e ler.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tem que ser assim

Sempre vai ter de ser assim? é uma boa pergunta, sendo assim não há respostas, ou pelo menos não temos uma conclusão. Quando as coisas vão bem, não nos questionamos muito sobre a sina, que persiste em nos perseguir. Alias não valorizamos a sorte, só mesmo quando estamos com muita azar é que lembramos como é bom ter sorte. Faz sentido, se formos olhar que somos seres humanos e como tal naturalmente cometemos estupidez. Logo é muito obvio que não demos nenhum valor a sorte.





Eu já disse aqui sobre o Alma Seca. Dispensa comentários a dose de maldade que ele possui dentro de si, um lado negro difícil de suportar. Será que ele tinha de ser assim? Se o Alma Seca tivesse em um lar estruturado teria sido diferente? Difícil de saber, mas Alma Seca tem uma pessoa incomum e ao contrário dele esta pessoa é de bom coração, ou pelo menos deixou pistas quanto a sua bondade. Estou falando de Sandro, uma pessoa que Alma Seca nunca viu pessoalmente, mas teve muita inveja dele.





Sandro é um criminoso, foi internado várias vezes em sua adolescência, na maioridade foi preso e passou por diversas carceragens. Ele sempre esteve no crime, mas nunca foi mau. Seu espirito é bom, o mau não lhe faz bem, não lhe agrada. Sandro nunca desejou o mal de ninguém, nunca teve inveja, nunca ficou satisfeito por roubar alguém, apesar de ter feito isto várias vezes. O crime sempre esteve em Sandro, mas Sandro nunca foi do crime. Estava ali por circustâncias, por uma sina que o perseguiu durante toda a sua curta vida. É claro que não estou defendendo o crime por uma questão social, apesar de ser, o fato é que os criminosos deviam entender que a maioria das pessoas batalham para ter algo confortável em suas vidas. Eu não sou o caso, sempre tive sorte, desde a família que nasci e em tudo o que eu fiz, mas sou uma exceção e sei disto. No entanto, milhares de pessoas percorrem vinte, trinta quilómetros até chegar ao local de trabalho ficam lá o dia inteiro, não tempo nem para dar uma ligação e ainda correm o risco de ficar no meio do caminho.





Sandro quando tinha seis anos viu a sua mãe gravida de cinco meses ser assassinada na sua frente, em um assalto ao Bar/mercearia que ela era proprietária. Três assaltantes pé de chinelos levaram uns tostões de sua mãe e não satisfeitos a mataram com golpes de facas, deixando o objeto do crime cravado nas costas da mãe de Sandro, que em desespero e agonizando pelos ferimentos caiu e aumentou ainda mais a sua dor com a faca cravada em suas costas. Sandro viu tudo, inclusive o seu futuro irmão agonizando na placenta por falta de oxigênio que a mãe já não lhe supria mais.
Sandro ainda seria uma das vítima sobrevivente da Chacina da Candelária, o garoto abandonado pela sua própria sorte após o assassinato de sua mãe, sobreviveu por muita sorte deste terrível episódio em pleno centro do Rio de Janeiro. As autoridades não lhe apararam, ele não teve qualquer apoio psicológico em nenhuma das duas tragédias, Sandro sempre esteve entregue a sua própria sorte, sempre foi midiático, mas sempre solitário.





No dia 12 de Junho de 2000, Sandro faz sua ultima aparição em público. Em cadeia nacional, ao vivo, em quase todas emissoras nacionais de TV aberta do país esta Sandro, como personagem principal. É ele quem dá as regras, Sandro se viu em uma posição que nunca pensou que fosse alcançar, mesmo que fosse fazendo o que ele não sabia fazer, ou seja, praticando maldade contra pessoas inocentes. De repente, Sandro se viu inundado de jornalistas, fotografos, Rede Globo, Bandeirantes, SBT, Folha de São Paulo e diversos outras mídias. O invisível tomou conta do noticiário nacional. Sandro ficou eufórico e nem sabia o que fazer diante da situação. Sandro era agora o crime de mais visibilidade do país e a troco de quê? De nada, Sandro não ganhou e nem ganharia nada com o sequestro do ônibus 174. Seria apenas o fim apoteótico de sua curta vida. Morreria logo depois de uma tremenda lambança de um ofícial do BOPE ( Batalhão de operações Policiais Especiais da Policia Militar do Rio de Janeiro, em outras palavras, a Tropa de Elite). O Policial da Tropa de Elite dá um tiro a  queima roupa em Sandro, mas erra o alvo e acerta a refém. Detalhes que o Policial fez o golpe da municiar a arma momentos antes do disparo, movimento suficiente para chamar a atenção de Sandro que ao virar se ‘esquiva’ do tiro. Sandro sem nenhum ferimento é colocado na viatura entrando com ele mais três Policiais, inclusive o autor do disparo. Sandro morre no caminho sufocado pelos Policiais, sufocado pelos Agentes do Estado, sufocado pela sociedade, sufocado pelo Governo do Rio de Janeiro, sufocado pelo estado Brasileiro.





Sandro não é heroi e nem simbolo de nada, a sociedade o despreza como sempre fez durante toda a sua curta vida. Muitos aplaudiram a morte dele por sufocamento dentro da viatura da Policia. O sequestro do ônibus 174 é divulgado pelo mundo inteiro e se tornou um celebre caso de tudo o que uma Policia não pode fazer em um caso de sequestro. É um perfeito manual do que não se deve fazer, ironicamente, Sandro mais uma vez vê o Estado falhar, falhou no assassinato de sua mãe, falhou na Chacina da Candelária e agora falha no sequestro cometido por Sandro, que não foi planejado, foi como toda a vida de Sandro, um acaso, uma sina do que tinha de ser assim.





Alma Seca como já disse é um sujeito esquecido. Perverso, maldoso, mas esquecido. Abandonado em sua própria maldade. O que o Sandro fez de maldade em sua curta vida, Alma Seca fez em uma tarde. Um se tornou conhecido, o outro é inexistente. Apenas a vida de criminosos unem os dois, um é mal o outro é bom, na medida do possível. Alma Seca daria tudo para estar no lugar de Sandro, dentro do ônibus 174, ele mataria todas os reféns, um a um, em cadeia nacional o Brasil iria ver a violência escancarada. Sandro não matou nenhum refém sequer, parece que acertou dois tiros na refém, na qual o Policial acertou, quem matou Sandro ou o Policial de Elite, que errou o alvo, acertou a refém e criou uma situação de pânico? Para o governo do Estado do Rio de Janeiro foi Sandro, já eu tenho as minhas dúvidas.





No enterro de Sandro compareceu uma única mulher, que o adotou como filho, sua mãe de coração, uma cena difícil de não se emocionar. Sandro só tinha esta pessoa na face da terra capaz de demonstrar qualquer sentimento humanitário com a sua pessoa. Sua tia disse que não compareceu por medo. Medo da opinião pública, de ser linchada por populares, de ter o seu rosto em todos os jornais do Brasil. Medo este que a mãe de coração de Sandro não teve, ou pelo menos não se preocupou com isto. Ela não foi linchada, não foi mal vista por ninguém. É impossível dizer uma palavra contra esta mulher, é preciso ter muita coragem para apoiar alguém na situação de Sandro. E nem mãe biológica de Sandro ela foi, o conhecia há pouco mais de dois anos, mas o adotou como filho, tentou dar a ele todo amor que ele não teve. Foi a única pessoa capaz de tentar tirar Sandro de sua sina maldita, de uma vida de percalços, de suplicio, de sofrimento, de tragédias.





Assim como Sandro tenho uma sina. Não consigo me agradar, por mais que eu me esforçe. Sou um frustrado na arte de escrever, como dizia Truman Capote “Isto não é escrever. Isto é bater à maquina”, melhor definição sobre o meu dom de escrever não conseguiria dizer. Nem Nelson Rodrigues conseguiu definir tão bem de um idiota como eu. Eu sempre pensei na minha juventude que com a minha velhice conseguiria me superar, mas os anos foram passando e a minha superação não chegou. O que me restou foi a minha única leitora, minha indignação com a incompetência das autoridades públicas e ouvir o babaca do Arnaldo Jabor, que apesar de ser um idiota ululante, merece respeito e além de tudo, merecer ser ouvido. Ele é o tipo de idiota, que eu não concordo, mas gosto de ouvir. Tudo bem que temos, certas afinidades, temos preferências políticas equivalentes, temos repudio as autoridades públicas e sempre que podemos estamos apontando as falhas dos órgãos públicos. Mas por mais, que eu concorde com o Jabor, ele vai continuar sendo um eterno idiota.





Estava falando de Sandro, talvez minha única leitora esteja curiosa com o que aconteceu depois do sequestro do ônibus 174. Bom, não aconteceu absolutamente nada. Enterraram a refém morta no local, Sandro que foi sufocado dentro da viatura Policial e ninguém foi responsabilizado de nada, nem mesmo a família da refém recebeu qualquer indenização, já que quem a matou foi Sandro, pelo menos esta é a versão oficial. Parece que tudo voltou ao normal, Sandro  enfim foi descartado como o lixo que sempre foi para a sociedade,  um criminoso, que cursou até a 2 ª série do primário, um deliquente, que passou metade da sua vida em cadeias e internações de menores, outra boa parte passou dormindo em passeios públicos no centro do Rio de Janeiro, enfim a sociedade expurgou de nosso convívio um individuo que em nada acrescentou para o planeta. Como se viver fosse uma questão de acrescentar ou não algo para o planeta.

sábado, 5 de junho de 2010

Sem Rabino

Concluir como algo aconteceu é algo impossível. Depois de termos bilhões de habitantes no mundo, depois da revolução verde, das descobertas de Newton sobre a gravitação universal, depois de Einstein e a física moderna, depois do homem ir a lua. As conclusões sobre o princípio da incerteza se tornaram muito obvias, como diria o grande Nelson, obvias ululantes. Então como saber onde tudo aconteceu, foi no olhar, foi ao ligar para o número tal, foi atender a ligação, foi em ser fraco, quando você podia dizer não. E no final de tudo, você esta arrependido. Não consegue apagar o que fez, mas daria tudo para voltar atrás.

Alias eu não sei se já disse ou não, como disse ando perdendo umas das poucas e raras qualidades que eu tenho. Sou um homem que não esquece, talvez não seja mais assim recentemente. O que já tenho para não esquecer é suficiente para não dormir, talvez minha capacidade de armazenamento tenha esgotado ou a minha capacidade psicológica de suportar tudo tenha se esgotado. Mas como estava dizendo, eu não sou judeu. Acredito que esta afirmação, seja um pouco tola. Alias quem é judeu? Poucos e por que eu seria um destes poucos, como dizem o povo escolhido por Deus ou os únicos filhos de Deus. O fato que não tenho um Rabino para consultar e no fim me dar uma resposta para a solução dos meus problemas.

Se não sou Judeu e logo não tenho um Rabino para me dizer o que fazer, como vou resolver os problemas. Talvez eles não necessitem que sejam resolvidos. Podem ficar por soltos pelo mundo. No final das contas são tantos problemas, que um a mais e outro a menos, não ira fazer falta alguma. Tendo uma visão macro de tudo o que acontece é bem simples passar por cima de tudo. Mas o meu arrependimento no meu intimo é algo intransponível, por mais insignificante que ele seja para o restante do mundo. E mesmo assim, não tenho um Rabino, enquanto os Judeus tem vários Rabinos, em primeira, segunda instância, superiores e até o supremo. Sem contar Deus, neste caso todos temos acesso, mas só eles são filhos de Deus.

Matemática é a arte do possível, temos tudo concretamente graças a ela. A física explica como são as coisas, como alguém é atropelado, como alguém é assassinado, mas a matemática diz como lea realmente funciona, mesmo sendo uma ciência abstrata e criada pelo homem. Essa é a coisa pra valer. Alias o que é pra valer? A vida é uma só, como diria o grande Vinicius. Não sei, tenho minhas dúvidas. Sei que a nossa vida pode ruir de uma hora pra outra, toda solidez de anos pode ser abalada em poucos dias. Assim como nós, podemos trair uma amizade de anos e nos perguntar mil vezes por que. E por mais que a gente tente, a resposta não nos vem, matamos e não queremos acreditar.

A arte da conquista é mais complicada do que um simples beijo, uma conversa amiga e choros sinceros. Assim como o amor, que é bem mais complexo do que duas pessoas ligadas fisicamente e espiritualmente. Quantas vezes me deparei com isto, tinha tudo e não tinha nada. Por fim, não conseguia entender com duas pessoas eram tão compatíveis e tão distantes. O contexto também é importante, alias deveras importante. A força que vem de força é tão importante quanto a interna. O fato que não podemos prever o que há na cabeça de ninguém, nem na nossa própria cabeça.

O ser humano é tão imprevisível quanto inconseqüente. Na cabeça do outro é difícil prever o que ele vai fazer  ou o quanto fiel ele vai ser. Alias fidelidade é muito mais utopia que realidade, talvez eu esteja dizendo isto pra justificar a minha falta de ética. Consigo suportar com mais suavidade, quando penso que o que eu faço é tão comum para outras pessoas quanto é pra mim. Sou tão cretino quanto os outros, este argumento é o suficiente para dormir tranqüilo.

Difícil é  chegar até o Rabino e ver que ele não tem a solução dos nossos problemas. Temos a doce ilusão de que o Rabino ou alguém importante tem o dom de facilitar tudo na vida. O fato que todos nós estamos no mesmo barco, alguns conseguem solucionar um problema ou outro, mas problemas de verdade estão ai desde que me entendo por gente. A velhice não carrega só o peso da beleza que vai desaparecendo, ela carrega também os problemas incontornáveis, que vão se acumulando ano após ano.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Minhas limitações


Comecei este texto ao pensar sobre mim mesmo. Alias sempre penso na teoria de Guimarães sobre ser universal. Não há modo melhor em ser universal, sendo você mesmo, falando de suas particularidades, falando do quintal do terreiro de sua  casa.. Provo que Deus existe, pensando na minha limitação de ser finito. Somente Deus é quem explica o infinito, os matemáticos pensam que sabem do que estão falando, mas no fim estão todos perdidos. Assim como eu, que estou literalmente perdido. 

Acredito que nós gostamos de nos enganar. Gostamos de viver situações, que estão condenadas ao fim. Qual é o problema disto, aparentemente nenhum, já que temos a máxima de que tudo tem um desfecho e nada é para sempre. Pra sempre, sempre acaba. Isto, pode ser uma visão simplista de uma série de coisas bem mais complexas. Gosto de pensar em possibilidades, vivemos em um mundo cheio delas, possibilidade boas e ruins. É até simples, explicar esta infinitude de acontecimentos. Vivemos em um mundo com pouco mais de seis bilhões de pessoas, naturalmente isto gera uma série tentativas e erros, como também acertos. Não precisamos acertar sempre, precisamos acertar muito de vez em quando. Algo em torno de 0,01 % da nossas tentativas. Isto não quer dizer que seja facil, alias detesto esta ideologias baratas que se vendem neste 'livros' de auto ajudas, onde eles resumem tudo na sua vontade e que se você suar a camisa vai dar tudo certo. Caso dê tudo errado, a culpa é sua e não do sistema. Tudo esta em perfeita harmonia é você quem falhou. Me poupe, isto não funciona comigo e isto não é uma visão simplista de ver o mundo é uma visão estupidamente ululante e idiota de ver as coisas. 

O ser humano realmente é complexo, ele trai a si mesmo e isto não acontece em raras ocasiões. Pelo contrário, nos traímos reiteradas vezes. O maior traidor meu, sou eu próprio. Ninguém me traiu mais vezes do eu. Nem mesmo minha mãe, uma das mulheres que amei, um grande amigo, meu próprio filho. Eu sem sombra de dúvidas, sou o maior traidor de mim mesmo. E por qual motivos faço isto, confesso que não sei. É um ato constante de auto-flagelação. Talvez faça isto por medo, medo de descobrir minhas limitações. Por isto, me esquivo das verdades que me diminui e me coloca no espaço de homens comuns. O fato que ser alguém hoje diferente é algo com 100 mil em 6 bilhões, as probabilidades são minimas. Se podemos dizer, que para nascermos vencemos milhões de espermatozoides, como vencer bilhões, que já venceram também os milhões. Tudo fica assim, em números astronômicos e nada animadores. Eu penso, que teria mais tranquilidade se não pensassem em termos de competição. No entanto, toda lógica da história da humanidade perparssou por uma intensa disputa. Se hoje não temos os Gregos, nem os Romanos, ou o Império Britânico, até pouco tempo tínhamos o Império Ianque, agora temos o Chinês. O que temos de comum em todos estes impérios é a o espirito de competição intensa, em que só se esta satisfeito no topo da piramide. Depois de décadas, séculos ou alguns anos, tudo perde a importância e nem sabemos explicar o motivo de tantos cadáveres.

Neste espirito de estar sempre no topo, a competição começa em sua própria casa. Quantas vezes na minha modesta vida, quis provar a minha própria mãe e o meu pai, que sou muito melhor do que eles, em todos os aspectos. Meus irmãos nem se fala, sempre fui melhor do que eles, até mesmo no que sou o pior. O bizarro de tudo isto é pensar, que mais do que ninguém eu sempre soube os meus defeitos e acima de tudo minhas limitações, mas sempre tinha uma desculpa na ponta da língua para justificar os fracassos. Que publicamente nunca foram fracassos, foram na verdade minha falta de vontade em vencer, se realmente quisesse teria vencido.

Sempre mascaro a realidade e quando eu bem entender, estarei no topo. Nasci para vencer, mesmo que não haja nada que comprove isto. Alias se sei que vou perder, pois apesar de toda aparência, conheço bem as minhas limitações, mesmo que não reconheça isto nem mesmo pra mim, mas no fundo e no meu inconsciente sei da verdade. É o que acontece, quando você esta perdidamente apaixonado por uma garota linda e cobiçada por todas. Tudo bem, fui feliz com as mulheres, mas acho que isto ilustra muito bem o que estou dizendo sobre as minhas limitações, mesmo que este exemplo não se aplique a mim. Voltando a ilustração, temos uma garota linda e um rapaz comum. A garota o trata muito bem, sai com o rapaz, conversa, conta confidências, alguns garotos até tem inveja do garoto e o perguntam. Por quê você não fica com ela? O garoto conhecendo sua limitação, apenas diz: Aquela garota? Ela é muito fútil, se acha, tem outras mais interessantes por ai, não tenho nenhum interesse por ela. Melhor dizer isto, do que correr o risco de levar um fora.

Talvez isto explique muitas escolhas insensatas minhas, muitas resistências incompreensíveis, posições sem qualquer razão e a vontade de estar sempre no topo. Peço desculpas a algumas pessoas, que tenho certeza, que magoei, trai e não fui fiel de nenhuma consideração. Espero que entendam, que não fiz isto por pura maldade. Às vezes, estou realmente confuso e não sei o que realmente quero. Posso fazer isto por medo, por vergonha, por egoísmo, por vergonha de mostrar a realidade. Assim como fazem os governos, que mascaram os números. Escondem o número de homicídios, o número de mortos em acidentes de transito. O número de epidemias, são poucas pessoas, que tem a coragem de dizer, viver é perigoso. Guimarães repetiu isto muitas vezes, de formas diferentes, ele sempre bateu nesta tecla, com esta frase simples e boba, que vida não é tão simples quanto parece.

Talvez a gente goste mesmo de complicar, isto pode dar mais graça. Eu não sei, mas nunca saio feliz de uma história feliz. Ao conhecer JeanValjean, gostei muito da história deste homem, por tudo o que fez, por tudo aguentou. No fim, quando soube que ele morreu de uma das formas mais melancólicas possíveis, chorei, feito uma criança. Alias só as criança sabem chorar, por isto precisei mencionar a metáfora. O fato que a morte de JeanValjean no fim me deixou mais feliz, por mais que eu quisesse que ele permanecesse entre nós. Talvez ele seja bom demais, para viver neste mar de lama ou a gente precise mesmo de uma histórias destas, para entender o valor das nossas limitações, que no fim das contas é uma completa besteira. A partir de hoje, não ligo em perder, alias ser o ultimo não é motivo de vergonha. O que não quero mais é guardar as minhas limitações apenas pra mim e mais ninguém. Sou sim, perdedor, mas digno e sensato.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Emmanuelle

Eu não sei, ando meio relapso. Não lembro bem se já falei de Emmanuelle, uma das mais belas garotas que já passou pela minha vida, alias este é um dos casos de amor mais lindo que já ouvi falar e não estou dizendo isto, por ter amado aquela mulher. Poucas histórias tem mesma gama de vontade e intensidade do que esta, que vou contar agora.

O nosso romance começou como todo bom caso de amor deve começar, por uma tragédia. Talvez eu esteja exagerando, mas é que conheci Emmanuelle já casada. Na época eu não sabia disto, fui saber depois, mas ela era casada. E nos apaixonamos mesmo assim, o laço nupcial não foi capaz de conter aquela onda de amor avassaladora. Eu não sabia, mas Emmanuelle sabia que era casada, além do mais ela é uma das pessoas mais doceis que eu já conheci. Sua docilidade é apaixonante, além de seu olhar, sua boca, cheiro. Tudo o que me lembra Emmanuelle é sinônimo de amor,.

Emmanuelle além de tudo era Francesa, não sei se é fetiche, mas acho que uma mulher Francesa e deveras interessante, é algo incrível, impossível de ser transcrita em palavras ou em algo pronunciável. Só posso dizer que ela era loira e tinha um olhar fatal. Nos conhecemos e eu tive a sorte de que a paixão fosse algo mútuo, podíamos ficar horas conversando sobre qualquer coisa e suportávamos muito bem o silêncio, alias nenhuma situação era inconveniente para mim e Emmanuelle. Ela era da cidade de Toulouse e provavelmente eu nunca saberia nada desta cidade se não fosse por ela. Depois de conhece-la fui saber que a cidade, fica no sul do pais, nas margens do rio Garona tem uma população de pouco mais de um milhão de habitantes e faz parte da França desde 1271. Confesso, que depois deste romance fui obrigado a conhecer a cidade, que tem um clima muito charmosa, além de ser muito bem freqüentada pelos estudantes universitários, que são quase 10% da população da cidade. Na minha memória de Toulouse lembro da maravilhosa Emmanuelle e dos arcos das pontes que passam por cima do rio Garona, pra mim isto basta.

Alias tem dias que para melhorar o meu humor, basta lembrar dos beijos de Emmanuelle ou de como era bom tocar em sua mão, aperta-la e sentir um pouco de seu suor. Até mesmo ouvir sua voz, lembro que toquei algumas músicas francesas pra ela cantar, alguma de Edit Piaf e gravei tudo isto, na verdade eu queria ter algum registro de sua voz, para ouvi-la em momentos que eu saberia que não estaria mais com ela. Alias, sempre soube que aquele amor não era pra sempre, era muito intenso, muito coeso, não poderia ser pra sempre. Um amor verdadeiro dura pouco tempo, mas de fato é eterno. O tempo do mundo dos homens não é capaz de suportar esta intensidade de amor. Por isto, sempre soube que aqueles dias maravilhosos em Paris seriam por pouco tempo.

Alias depois de me encontrar com Emmanuelle em Marrocos, que fui saber que ela era casada. Ela não me contou, eu só a revi com o seu marido. É claro que foi algo inusitado e na hora tanto eu quanto ela, não sabíamos o que fazer, mas foi impossível fingir que não nos conhecíamos. Tivemos que dar alguma desculpa qualquer e o marido dela acabou não complicando. Vê-la novamente e com o marido foi muito complexo para mim, fiquei sem saber o que fazer, nada mais fazia sentido, nem mesmo a minha vida de rei em Marrocos. Talvez o momento mais difícil foi quando o pianista tocou As Times Goes By uma das poucas coisas escritas, cantadas e faladas, que podia exprimir o nosso amor.

Emmanuelle na primeira oportunidade que teve para falar comigo a sós, disse que me amava, que não esquecia dos dias em Paris, que foi para naquela cidade por conta do marido, mas ele sumiu e ela pensou que ele tivesse sido assassinado. Quando me conheceu estava desolada e não conseguiu conter o seu amor. Tudo culminou para que o nosso amor acontecesse em Paris e depois disto ele eternizou. O cômico em tudo isto é pensar que só conheci Emmanuelle por conta do seu marido. Ele tinha parentes em Toulouse foi passar lá um final de semana e conheceu Emmanuelle, depois de muito tentar, conseguiu conquista-la e por fim casaram-se.

Acredito que o marido de Emmanuelle ficou uns dois anos a cortejando para então casarem, foi quando ela foi morar em Paris. Com quase dois anos de casamento, quando sequestraram o marido de Emmanuelle e ela sem saber como agir pensou que os criminosos tinham dado fim a vida do seu esposo. É mais ou menos neste momento que apareci, em uma das poucas vezes na vida que estive em Paris, acho que depois disto fui lá no máximo mais duas vezes. Conheci Emmanuelle e me apaxonei naturalmente, mas só fui conhece-la por conta do casamento e só por isto ela foi morar em Paris, caso contrário, jamais teria conhecido Emmanuelle ou talvez fosse conhece-la em outro lugar do globo, tenho uma convicção muito forte em mim, que amores como o meu e de Emmanuelle são obrigados a acontecerem, mesmo que haja uma guerra mundial, como a Primeira e Segunda na era dos Extremos, mesmo assim teríamos nos amado, com a mesma intensidade e afinco.

Depois de Marrocos nunca mais vi Emmanuelle, mas tenho certeza que assim como eu, ela nunca viveu outro amor com a mesma intensidade que o nosso. Só amor imortaliza, só fui entender isto, depois que conheci Emmanuelle. E entendo perfeitamente que nosso amor tenha durado pouco mais de um mês, como eu já disse, o mundo dos homens não comporta tamanha intensidade de amor, 'eles' conspiram contra você e por mais que você lute, vai ter que aceitar a derrota. É por isto que muitos casais fazem pacto de morte, somente a eternidade suporta o amor, o mundo carnal é limitado e não pode suportar nada que lembre o infinito.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Obsessão pelo Nelson

Se tem uma coisa que gosto do Nelson é sua obsessão. Ele não tinha nenhuma vergonha de ser obcecado por determinados assuntos e repeti-los sem nenhuma vergonha na cara. Como o próprio Nelson dizia, ele poderia ficar um ano falando do comício de 1º de maio, poderia fazer um tratado sobre a passeata, um livro, um quadro. Um assunto não acaba para Nelson, leiam em suas próprias palavras: “E de fato, sou um homem de fixações inarredáveis. Insisto em assuntos e figuras de nossa época, com uma pertinácia quase doentia”. E eu tenho obsessão pelo próprio Nelson. Leio ele, interpreto ele, penso no que ele fez, vasculho toda sua obra de fato é doentio minha fixação pelos brilhantes textos do Nelson.

O mais trágico desta obsessão é que não tenho um traço genético do Nelson. Nada em mim lembra o Nelson é um destes paradoxo incríveis. Nem mesmo a Minha Única Leitora disse pra mim ao menos uma vez, que lembro o Nelson, ninguém me disse isto, nem mesmo ela. Nem mesmo eu reconheço algo em mim que seja do Nelson. Para todos não tenho nenhuma semelhança com ele. Como explicar que minha obsessão é o Nelson. Um escritor que me fascina tanto, mas ao mesmo tempo não consigo transferir nada desta admiração para o papel. Sorrio como o Nelson, sou sarcástico como o Nelson, de fato tenho obsessão pelo Nelson, mas isto não se traduz em fatos concretos.

O Nelson me lembra a Sheyla. Uma mulher bonita, de poucas palavras e de poucos olhares. O fato é que não me curei até hoje desta obsessão, lembro do Nelson e lembro de Sheyla. Tenho obsessão pelos dois, um me traz prazer a outra desgosto e dor. No entanto, um está terrivelmente associado ao outro. Algo como prazer e dor. Sheyla não me quis, nem mesmo prestou atenção em mim. Este episódio me deixou de orgulho ferido e nunca aceitei o fato de que ela nem mesmo conversou comigo, nem por quinze minutos.

Além de obcecado por Nelson sou um defensor das minhas opiniões. A minha opinião é como um filho meu e como bom pai, que fui. Não deixo as minha crias desamparadas, quanto maior forem as críticas às minhas opiniões. Com mais afinco vou defende-las. Ao fazer isto, tenho um pouco de mim o suicida. Já disse que não há nada mais mentiroso, do que uma carta de um suicida. É com certeza, o documento mais falso que há no mundo. Mas a palavra 'suicida', vai além de um corpo estirado ao chão. Neste caso falo das pessoas de opiniões próprias. Especie cada vez mais em extinção no mundo. Hoje em dia, há uma série de coisas que pensam por você, televisão, faculdade, rádio, internet, jornais, enfim é incontável. O fato que hoje em dia, nenhum ser humano do planeta terra precisa pensar, isto não é vital para a sobrevivência de alguém. Não precisamos nem mesmo saber o que é leste e oeste. Pontos cardeais e uma série de conhecimentos como plantar um tomate, um feijão, como conservar carnes e outros tipos de alimento, que hoje se tornou inútil para qualquer tipo de sobrevivência humana. Nem mesmo precisamos saber como é a reprodução humana.

O fato que ter uma opinião própria o torna uma pessoa suicida. É uma atitude no mínimo maluca. Hoje ter opinião própria se tornou sinônimo de Nelson. O fato que ninguém tem mais opiniões próprias do que Nelson. Apesar de suas obcessões por certos assuntos, como o Antonios, D. Helder, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Hélio Pellegrino, os idiotas, a unanimidade, ele, Nelson é original em tudo. Não conseguimos dizer de onde ele veio, quem ele copiava. Alias, Nelson não copiava ninguém, nem mesmo D. Helder. Nelso teve uma vida trágica, mas soube melhor do que ninguém transformar toda tragédia em literatura.

Alias toda tragédia presenciada pelo Nelson virou literatura, suas frases imortais como “Toda mulher gosta de apanhar”. Está surgiu após Nelson ver um vizinho seu, considerado pela vizinhança como um banana. Surrar a esposa em plena via pública com cinto na mão. As mulheres pediam para o marido bater mais, após a surra a mulher beijou os pés do marido e depois deste dia, teve orgulho do seu marido ex-banana. Nelson chegou a conclusão trágica “Toda mulher gosta de apanhar”. O fato que tudo na mão de Nelson se dramatizava, até mesmo a merenda de levar para a escola.

Mas nada é mais dramático do que a própria vida de Nelson. Sua literatura densa e polemica não foi capaz de superar a própria vida do autor. O assassinato de seu irmão Roberto, testemunhado por Nelson dento da redação do jornal Crítica cometido por Sylvia é um fato trágico que o acompanhou por toda sua vida. Como se não bastasse, perdeu o pai, Mário Rodrigues, meses depois da morte de Roberto. Este morre por puro desgosto da tragédia. Como se não bastasse toda tragédia, Nelson passa fome e ainda descobre-se tuberculoso. Anos mais tarde, após sucessos com Vestido de Noiva, Nelson vê o seu filho Nelsinho a lutar contra a ditadura, vivendo na clandestinidade. Regime o qual, Nelson apoiava, mas o seu filho não. Pra minha sorte todas está tragédia tornou se em uma bela literatura.

Falei de polêmica, que atualmente esta falecendo, as novas gerações não querem saber de nada polêmico. Nelson foi polêmico em toda sua vida, mas não sem motivos. Hoje temos vergonha em ser polemico, melhor ser um canalha do que polemico. Até mesmo um corrupto goza de uma reputação social mais confortável. Ser obcecado é outro grave defeito, mesmo que seja pelo Nelson e sua densa literatura. No mundo de hoje, o melhor mesmo é não refletir e muito menos polemizar. Viva sua vida da mesma forma que um cão, sem maiores questionamentos e algazarras, nos dias de hoje Nelson não existiria, não há espaço para o drama.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O centro do mundo

Demorei a perceber que sempre me achei o centro do mundo. E isto, foi algo que me perseguiu a vida inteira. Uma perseguição constante, implacável, silenciosa e em alguns momentos terrível. Posso até dizer que foi sofri por muitos anos uma verdadeira e nostálgica tortura chinesa, aquela que te colocam debaixo de um cano e por ele escorre um filete de água, quase que em conta gota e cai bem em cima da sua testa. Depois de algumas horas, pode ter certeza que a loucura vai lhe bater a porta.

A meu carma sempre foi sutil, discreto e nunca se declarou. É como aquelas amizades onde um ama e outro não vê nada além da amizade. O apaixonado por saber que ele ama uma pessoa, que não lhe vê como alguém do sexo oposto é discreto, sutil e chega até ser mentiroso para que a verdade não venha à tona. E ele não faz isto para manter um amor platônico, puro e idealizado. Ele apenas não quer ter o trauma de ser rejeitado pela pessoa amada, é como não entrar em uma guerra onde é claro, que o seu exercito irá perder.

A minha infância, juventude e fase adulta sempre foram permeadas por este estranho sentimento de me sentir um messias, o escolhido, o ator principal. Nunca me vi como o ator coadjuvante, mesmo que isto fosse visível. O fato é que isto me controlava é como se tudo existisse em função de mim. O mundo estava ao meu comando, vivia pra mim, bilhões de pessoas faziam tudo em função de mim e de mais ninguém. Na minha visão egocêntrica até Deus vivia em função de mim, fatos históricos no fim foram motivados por mim, eu me sentia o verdadeiro centro do mundo.

As duas guerras mundiais não teriam acontecido se não fosse a minha existência, eu motivei toda aquela destruição. Pra mim isto tudo fazia muito sentido, era uma terrível lógica que tomava conta de todos os meus pensamentos. Engraçado como às vezes apareciam alguns sinais para colaborar para a minha loucura. Lembro bem do episódio do meu ex-chefe.

Em certa época, quando trabalha em um órgão público, onde me aposentei. Lembro que iria ser transferido de setor. Em qualquer ambiente de trabalho de órgãos públicos, você pode ter certeza de uma coisa. A fofoca corre a solta, todo funcionário por mais humilde e insignificante que seja tem a sua “ficha” que corre na boca do povo. Como iria para um setor onde não conhecia ninguém, resolvi recorrer as fofocas para saber como era o meu chefe, um tal de Walter.

Perguntei como era o meu chefe Walter e todos foram unânime e resumiram em algo mais ou menos assim: Você está frito. Descreveram o cara como um daqueles chefes bem malas, insuportáveis, Sabe aquele chefe que você se pergunta: Este cara não tem filhos? Mulher? Amante? Amigos? Qualquer diversão, atividade que não seja este trabalho chato? No fim de algumas perguntas você conclui: Este cara realmente não tem nada pra fazer a vida dele é este trabalho medíocre. Lamentável, tenho pena dela.

O fato é que na época da transferência eu estava de licença médica, havia sofrido um acidente de carro, no qual morreu uma filha e minha esposa. Mas não vamos falar disto, quero falar do meu ex-chefe. Minha licença estava pra vencer, mas o médico me deu mais trinta dias, pois não tinha condição alguma de voltar para o trabalho. Fui ao novo setor e lá conversei com um colega de trabalho, para ter idéia do que eles faziam lá e como eram mais ou menos as coisas. Enquanto conversava com este colega de trabalho o meu chefe Walter apareceu lá na sala em que estávamos e este colega me apresentou para o chefe.

Ao dizer que iria ficar mais trinta dias de licença o Walter quase teve um troço, ficou nervoso e claramente irritado me disse: Você não quer trabalhar? Quer ficar atoa? Só me mandam porcaria pra trabalhar comigo, preciso que você dê adiantamento no serviço. Minha vontade era de mandar o babaca pra puta que pariu e se possível lhe socar a cara. No entanto, me contive e disse que poderia dar adiantamento no serviço em casa, tentei a política da boa vizinhança. O cara seria o meu novo chefe e não queria começar aquela relação com problemas, nesta época eu estava com muitos e queria voltar ao mar de calmarias.

No entanto, esperava que aquele pulha do Walter não aceitasse que eu levasse serviço pra casa de licença médica. Afinal de contas, ele não tinha nenhuma autoridade para questionar o documento médico. Por fim o canalha aceitou e ficou muito satisfeito com a minha puxação de saco. Sai de lá puto da vida com aquele idiota do Walter e pior, o cara era o meu futuro chefe ou atual, tecnicamente eu não tinha voltado a trabalhar. O fato é que fiquei trinta dias de licença e durante este tempo toquei o serviço, claro que não terminei tudo. O idiota me passou serviço de dois anos.

Lembro que ao chegar no serviço, estava pensando se o canalha iria me xingar por não ter terminado aquele pequeno serviço. Lá no setor encontro o mesmo colega, que havia conversando há pouco mais de trinta dias e logo ele me diz: Você está sabendo? Apenas disse: Sabendo do quê? E ele me respondeu de uma forma simples: Seu chefe morreu. Lembro que disse algo mais ou menos assim: O quê? Como assim morreu? Conversei com ele há pouco mais de um mês, ele parecia estar super bem. Você está falando do Walter? O que foi? Infarto? Aneurisma? Ele me respondeu: Nada disto, foi encontrado morto dentro do carro com um tiro na nuca, disseram que foi suicídio.

Nesta hora eu nem sabia o que falava, estava feliz. Segurei-me para não abrir um belo sorriso de felicidade. Afinal de contas o cara parecia ser um mala, um chefe insuportável e ele estar morto significava que eu estava livre dele. E isto era mais um sinal de que eu era o centro do mundo. Fiquei um pouco envergonhado do meu sentimento egoísta, pois estava vendo um lado positivo da morte de alguém. O fato é que isto confirmou pra mim, que eu era o centro do mundo. Na minha lógica bizarra o Walter morreu para que eu ficasse livre dele. O outro chefe sempre me tratou bem, ficava me perguntando se ele sabia que o Walter morreu por minha causa. Talvez soubesse, talvez não, na dúvida ele não quis arriscar.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Amei todas, sem excessão

Sou um velho, apesar de não me importar mais com isto. Os anos foram passando e a minha perspectiva de vida acompanhou a passada do tempo. Então ser velho não foi um problema, é claro que me cuidei. Prático exercício desde que sou jovem e por isso sou um velho bonitão, que de vez em quando conheço alguma garota de vinte poucos anos e passamos por algumas aventuras amorosas. Sempre é mais duro pra elas terminarem. Pra mim nada é muito complicado, nem mesmo o trágico. Alias o que pode me abalar?
Sou velho, conservador e da direita. Confesso,é um tanto cômico ou paradoxal ser da ala da direita num país, onde a miséria está ai, aos nossos olhos. Alias, a miséria é promocional. Mas sempre tive uma vida boa, nunca precisei me esforçar, tudo sempre esteve ao meu alcance. A pobreza é algo que nunca bateu na minha porta, apoiar este sistema supressor e elitista. Faz todo o sentido do mundo. Do contrário estaria abalando a minha própria estrutura social.O que pode não me prejudicar, mas e os meus descendentes. Não posso prejudicá-los por conta de alguns milhares de miseráveis.
Um dia destes fui ao cinema, não era daqueles de shopping. Pra mim aquilo não é cine, é um desrespeito à sétima arte, uma verdadeira canalhice. Alias nada é mais artificial do que um shopping center, mas não quero falar disto. Sei que fui ver uma película do Almodóvar e havia ao meu lado um casal gay. Não que eu tenha preconceito contra os gays, acho que no mundo de hoje devemos aceitar as diferenças na maior harmonia possível. O fato é que o casal gay era espalhafatoso, chatos e sem nenhum pingo de educação. Alias no filme havia um personagem gay, que também era chato. Minha vontade era de cutucar o primeiro que estava do meu lado e falar: Sua bicha, você é tão chata quanto o boiola do filme. No entanto, me contive e não disse nada. Só tive que contar até dez, algumas vezes durante o filme. Sobre o preconceito contra os gays. Como já disse, não tenho. Apenas não acho que seja uma situação normal. Assim como não é normal beber cerveja quente, o normal é beber gelada. Alguém pode beber ela quente? Claro, sem problemas, mas não me diga que é normal.
O fato é o que casal gay me fez pensar nas prostitutas. Alias, existe uma frase muito boa, que resume todo o sentido de um homem ir atrás de uma puta. Ela diz algo mais ou menos assim: Você não paga uma prostituta para ir pra cama com você, pagamos pra que ela vá embora. Tudo bem, entender os motivos dos homens é bem simples, mas e a mulher, por que ela aceita isto, ou melhor, por que ela escolhe está vida. Poderíamos dizer que é uma profissão fácil, afina de contas à mulher fica lá a disposição de quem quer lhe possuir e cobra uma quantia por certo tempo de usufruto do seu corpo. Se formos pensar no lado prático é bem simples. Mas o homem é um ser que não esquece, imagina a mulher lembrar de todos os seus clientes. Não deve ser uma das visões mais agradáveis. No entanto, eu gostaria de entender o motivo da escolha. Uma prostituta poderia ter tantas outras profissões mais simples e menos problemáticas.
Ser prostituta é quase tão emblemático quanto ser assassino. É algo que você irá carregar pro resto de sua vida, além deste preço altíssimo que se paga, não é uma profissão que dure por muito tempo, logo os homens não te querem, novas mulheres aparecem no mercado e logo por uma seleção natural você está excluída do mercado de prostituição, talvez consiga ganhar algo, agindo feito uma matriarca, que gerencie novos clientes para as prostitutas novinhas. As prostitutas sempre apanham, fatalmente encontram um cliente, que acredita. Ter além do direito de usufruir do corpo da prostituta para o seu prazer sexual, ele tem também a escolha de lhe esmurrar a cara. É claro que a prostituta não pode reclamar, não pode procurar a polícia, não pode reclamar. Ela é tão indefesa quanto o traficante que leva um calote, não há como recorrer aos meios judiciários, o traficante precisa resolver a coisa na moda antiga, ou seja, com as próprias mãos.
Uma prostituta sempre precisa resolver as coisas à moda antiga, mas ela dificilmente carrega uma arma de fogo, sua habilidade e coragem pra manusear o objeto não são confiáveis, ao invés de ajudar a arma pode atrapalhar. Então ela se utiliza da sutileza, do cinismo, da dissimulação, da castidade em algumas ocasiões se for necessário. Ela precisa se virar do caso contrário irá ser a presa e não a caça. O que mais me impressiona é que as prostitutas não têm bons exemplos, não sei de uma, que tenha ficado rica depois de se aposentar como prostituta. Uma que tenha se dado bem no fim de carreira, na verdade o fim das prostitutas é sempre deplorável, melancólico e triste. Acabam assassinadas, pobres, umas até se tornam mendigas, outras viciadas em drogas e perdem qualquer vestígio de vaidade que tinha nos tempos da belle époque.
A velhice descontrolada e feia, mas nada supera a velhice de uma prostituta acabada pelas marcas do tempo e do passado. No entanto, sempre há prostitutas, o mercado nunca fica escasso, alias nunca ouvi falar de uma crise no mundo da prostituição, alguma reportagem dizendo que as prostitutas estão em falta, pelo jeito as coisas andam bem. Nós velhos safados agradecemos, não que eu não goste das mulheres corretas, alias gostei de cada uma que tive, amei cada uma, alias sempre amei. As mulheres nunca entendem isto, acham que amar é só com uma pro resto da vida. Amar é entrega, sem medida, sem medo e sem saber o que vai ser do amanha, sempre fui assim, com todas, nunca deixei de amar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Te desejo tudo em dobro

Há muitas perguntas a serem feitas daqui pro futuro. Disso não há dúvidas. Mas o problema não esta nos questionamentos. O que me preocupa são as respostas. Existem infinitas formas de responder a qualquer pergunta, ou seja, pra cada questão há infinitas soluções. Algumas são piores do que outras, apesar disto ser muito relativo, não tenho dúvidas. A pior com certeza absoluta é o silêncio. O silêncio é a pior das respostas.

Não há nada mais torturador do que ele. Nada mais sufocante ou implicante que o maldito silêncio para uma pergunta. Os professores sabem do que estou falando, quando perguntam: “Alguma dúvida?” no meio de duzentos alunos ninguém se atreve a perguntar nada, nenhum barulho sequer. O silêncio predomina. Vejo isto como uma evolução do ser humano. Afinal de contas não evoluímos apenas fisicamente ao meio, evoluímos em nossos comportamentos também.

O ser humano é cruel, disto não tenho dúvidas. Nossa crueldade não tem fim, como dizem os matemáticos, tende ao infinito. Eu não consigo imaginar uma cena de crueldade, que possa ser eleita a pior de todos os tempos. Além de ser difícil tal seleção, nada me garante que não vai aparecer uma pior. Posso falar de algumas, como os campos de concentrações Nazistas ou Soviéticos. As bombas Napalm usadas na Guerra do Vietnã, as bombas atômicas usadas em Hiroshima e Nagasaki usadas na Segunda Guerra Mundial, os meninos africanos morrendo de inanição. Sinceramente acho uma tarefa impossível, eleger a crueldade do século. Não há limites para o ser humano se tratando de crueldade. O mais plausível é falarmos em crueldade do momento.

Podemos minimizar a crueldade do ser humano, dizendo que isto são situações excepcionais, que isto não acontece no dia a dia. Em nosso cotidiano a crueldade quase não aparece. Mentira, mentira, mentira. Não vou ser hipócrita de dizer tamanha bobagem. A crueldade esta ai por todos os lugares. As mães que maltratam os filhos e vice-versa. Os maridos que espancam as esposas. As esposas que traem os maridos. O chefe que maltrata o subalterno. Os garotos da escola, que escolhem o bobo da corte para ser maltratado e humilhado. Os homicídios diários. O que mais me espanta em tudo isto, não são as pessoas que apenas cometem crueldades. Mas a promoção social que se tem ao cometer crueldade. Os garotos malvados são populares, queridos por todas as garotas. Os maridos que batem nas esposas são rapidamente promovidos no emprego. A única conclusão que posso tirar, é que ser cruel é um meio de promoção social. A crueldade é encarada como uma qualidade do ser humano empenhado em crescer.

Inclusive os personagens malvados são admirados por todos. Quantos vilões de Hollywood se deram bem, alias ser o Coringa é uma grande honra. Jack Nicholson se deu melhor nos seus papeis de vilões, se imortalizou sendo mal. A crueldade é mesmo uma qualidade admirada e invejada pelos demais. É de fato o auge do poder humano. Falando da crueldade lembrei de uma história incrível. Um ato cruel que até Stalin invejaria. Sem disparar um tiro sequer o vizinho matou o outro. Não houve luta ou contato corporal. A história é mais ou menos assim, um senhor já idade com aproximadamente setenta anos cuidava de passarinhos. Ele cultivou este habito por toda vida. Sabe aquelas coisas que sabemos, mas não lembramos quando foi que a gente começou ou aprendeu. Exemplo não me lembro quando aprendi sobre o continente Africano. Não consigo lembrar a época que apontei no mapa e exclamei: eis o continente Africano. Pois então, assim era a relação do senhor com os pássaros.

Este senhor foi casado por uma três décadas, mas sua mulher faleceu. Foi duro pra ele esta fase. No entanto, foi superado. Ele continuou cuidando dos pássaros. Inclusive ele adorava mostrar para outras pessoas os lindos pássaros que ele tinha. Enfim, a vida deste senhor era os pássaros. É até complicado dizer quem cuidava de quem naquela relação. Mas a felicidade faz mal nos olhos do outro. Um vizinho nada satisfeito com a vida boa, que aquele senhor levava. Resolveu mudar tudo na vida deste senhor. Não foi difícil, ele pensou no obvio ululante, ou seja, para onde o nariz aponta.

O senhor gostava dos pássaros então era só tirar dele os bichos e estava tudo certo. O vizinho ligou para a Policia Ambiental e denunciou: No endereço tal, um senhor cria pássaros silvestres sem qualquer licença ou regulamentação. Ele é muito perigoso, não vão até lá sem reforços. No dia seguinte lá estava a Policia com várias viaturas na porta da casa deste senhor. Invadiram a casa, acharam vários pássaros raros e silvestres, muita irregularidade. Havia armas de fogo na casa do senhor, espingardas antigas. Os Policiais não tiveram dúvida o senhor foi preso, levado pra Delegacia e só teve liberdade provisória por que pagou a fiança. Na verdade a filha dele, quem pagou. Isto aconteceu na quarta-feira e na sexta-feira o velho foi encontrado morto por um dos seus filhos. Ele se enforcou e não deixou nenhuma carta.

Pois bem isto hoje em dia é um motivo de parabéns, a crueldade é de fato promoção social. O grande problema é que eu não consegui ainda entrar nesta lógica social. Sou muito bobo e por fim não consigo ser cruel, logo não serei promovido. Mas se não sei responder com silêncio, vou responder ao melhor estilo, com irreverência. Já que não consigo ser assim, mal. Vou dizer que desejo tudo em dobro aos cruéis. Somente isto, tudo o que eles fazem que um dia ou menos dia volte em dobro pra eles. Isto não é julgamento de valor ou raiva é apenas o reconhecimento do trabalho feito pelos cruéis. Nada mais justo e ético do que receber em dobro tudo o que você fez, qualquer comerciante ficaria satisfeitíssimo em receber tudo em dobro do que comprou. E assim recebendo tudo em dobro, os cruéis poderão dormir com a consciência tranqüila, sem nenhum pesar, sem nenhuma dor, nenhuma divida. E assim os cruéis poderão continuar fazendo tudo o que bem entende e continuaram sendo venerados.