sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Fome de amor
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Tem que ser assim
sábado, 5 de junho de 2010
Sem Rabino
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Minhas limitações
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Emmanuelle
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Obsessão pelo Nelson
sábado, 6 de fevereiro de 2010
O centro do mundo
Demorei a perceber que sempre me achei o centro do mundo. E isto, foi algo que me perseguiu a vida inteira. Uma perseguição constante, implacável, silenciosa e em alguns momentos terrível. Posso até dizer que foi sofri por muitos anos uma verdadeira e nostálgica tortura chinesa, aquela que te colocam debaixo de um cano e por ele escorre um filete de água, quase que em conta gota e cai bem em cima da sua testa. Depois de algumas horas, pode ter certeza que a loucura vai lhe bater a porta.
A meu carma sempre foi sutil, discreto e nunca se declarou. É como aquelas amizades onde um ama e outro não vê nada além da amizade. O apaixonado por saber que ele ama uma pessoa, que não lhe vê como alguém do sexo oposto é discreto, sutil e chega até ser mentiroso para que a verdade não venha à tona. E ele não faz isto para manter um amor platônico, puro e idealizado. Ele apenas não quer ter o trauma de ser rejeitado pela pessoa amada, é como não entrar em uma guerra onde é claro, que o seu exercito irá perder.
A minha infância, juventude e fase adulta sempre foram permeadas por este estranho sentimento de me sentir um messias, o escolhido, o ator principal. Nunca me vi como o ator coadjuvante, mesmo que isto fosse visível. O fato é que isto me controlava é como se tudo existisse em função de mim. O mundo estava ao meu comando, vivia pra mim, bilhões de pessoas faziam tudo em função de mim e de mais ninguém. Na minha visão egocêntrica até Deus vivia em função de mim, fatos históricos no fim foram motivados por mim, eu me sentia o verdadeiro centro do mundo.
As duas guerras mundiais não teriam acontecido se não fosse a minha existência, eu motivei toda aquela destruição. Pra mim isto tudo fazia muito sentido, era uma terrível lógica que tomava conta de todos os meus pensamentos. Engraçado como às vezes apareciam alguns sinais para colaborar para a minha loucura. Lembro bem do episódio do meu ex-chefe.
Em certa época, quando trabalha em um órgão público, onde me aposentei. Lembro que iria ser transferido de setor. Em qualquer ambiente de trabalho de órgãos públicos, você pode ter certeza de uma coisa. A fofoca corre a solta, todo funcionário por mais humilde e insignificante que seja tem a sua “ficha” que corre na boca do povo. Como iria para um setor onde não conhecia ninguém, resolvi recorrer as fofocas para saber como era o meu chefe, um tal de Walter.
Perguntei como era o meu chefe Walter e todos foram unânime e resumiram em algo mais ou menos assim: Você está frito. Descreveram o cara como um daqueles chefes bem malas, insuportáveis, Sabe aquele chefe que você se pergunta: Este cara não tem filhos? Mulher? Amante? Amigos? Qualquer diversão, atividade que não seja este trabalho chato? No fim de algumas perguntas você conclui: Este cara realmente não tem nada pra fazer a vida dele é este trabalho medíocre. Lamentável, tenho pena dela.
O fato é que na época da transferência eu estava de licença médica, havia sofrido um acidente de carro, no qual morreu uma filha e minha esposa. Mas não vamos falar disto, quero falar do meu ex-chefe. Minha licença estava pra vencer, mas o médico me deu mais trinta dias, pois não tinha condição alguma de voltar para o trabalho. Fui ao novo setor e lá conversei com um colega de trabalho, para ter idéia do que eles faziam lá e como eram mais ou menos as coisas. Enquanto conversava com este colega de trabalho o meu chefe Walter apareceu lá na sala em que estávamos e este colega me apresentou para o chefe.
Ao dizer que iria ficar mais trinta dias de licença o Walter quase teve um troço, ficou nervoso e claramente irritado me disse: Você não quer trabalhar? Quer ficar atoa? Só me mandam porcaria pra trabalhar comigo, preciso que você dê adiantamento no serviço. Minha vontade era de mandar o babaca pra puta que pariu e se possível lhe socar a cara. No entanto, me contive e disse que poderia dar adiantamento no serviço em casa, tentei a política da boa vizinhança. O cara seria o meu novo chefe e não queria começar aquela relação com problemas, nesta época eu estava com muitos e queria voltar ao mar de calmarias.
No entanto, esperava que aquele pulha do Walter não aceitasse que eu levasse serviço pra casa de licença médica. Afinal de contas, ele não tinha nenhuma autoridade para questionar o documento médico. Por fim o canalha aceitou e ficou muito satisfeito com a minha puxação de saco. Sai de lá puto da vida com aquele idiota do Walter e pior, o cara era o meu futuro chefe ou atual, tecnicamente eu não tinha voltado a trabalhar. O fato é que fiquei trinta dias de licença e durante este tempo toquei o serviço, claro que não terminei tudo. O idiota me passou serviço de dois anos.
Lembro que ao chegar no serviço, estava pensando se o canalha iria me xingar por não ter terminado aquele pequeno serviço. Lá no setor encontro o mesmo colega, que havia conversando há pouco mais de trinta dias e logo ele me diz: Você está sabendo? Apenas disse: Sabendo do quê? E ele me respondeu de uma forma simples: Seu chefe morreu. Lembro que disse algo mais ou menos assim: O quê? Como assim morreu? Conversei com ele há pouco mais de um mês, ele parecia estar super bem. Você está falando do Walter? O que foi? Infarto? Aneurisma? Ele me respondeu: Nada disto, foi encontrado morto dentro do carro com um tiro na nuca, disseram que foi suicídio.
Nesta hora eu nem sabia o que falava, estava feliz. Segurei-me para não abrir um belo sorriso de felicidade. Afinal de contas o cara parecia ser um mala, um chefe insuportável e ele estar morto significava que eu estava livre dele. E isto era mais um sinal de que eu era o centro do mundo. Fiquei um pouco envergonhado do meu sentimento egoísta, pois estava vendo um lado positivo da morte de alguém. O fato é que isto confirmou pra mim, que eu era o centro do mundo. Na minha lógica bizarra o Walter morreu para que eu ficasse livre dele. O outro chefe sempre me tratou bem, ficava me perguntando se ele sabia que o Walter morreu por minha causa. Talvez soubesse, talvez não, na dúvida ele não quis arriscar.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Amei todas, sem excessão
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Te desejo tudo em dobro
Há muitas perguntas a serem feitas daqui pro futuro. Disso não há dúvidas. Mas o problema não esta nos questionamentos. O que me preocupa são as respostas. Existem infinitas formas de responder a qualquer pergunta, ou seja, pra cada questão há infinitas soluções. Algumas são piores do que outras, apesar disto ser muito relativo, não tenho dúvidas. A pior com certeza absoluta é o silêncio. O silêncio é a pior das respostas.
Não há nada mais torturador do que ele. Nada mais sufocante ou implicante que o maldito silêncio para uma pergunta. Os professores sabem do que estou falando, quando perguntam: “Alguma dúvida?” no meio de duzentos alunos ninguém se atreve a perguntar nada, nenhum barulho sequer. O silêncio predomina. Vejo isto como uma evolução do ser humano. Afinal de contas não evoluímos apenas fisicamente ao meio, evoluímos em nossos comportamentos também.
O ser humano é cruel, disto não tenho dúvidas. Nossa crueldade não tem fim, como dizem os matemáticos, tende ao infinito. Eu não consigo imaginar uma cena de crueldade, que possa ser eleita a pior de todos os tempos. Além de ser difícil tal seleção, nada me garante que não vai aparecer uma pior. Posso falar de algumas, como os campos de concentrações Nazistas ou Soviéticos. As bombas Napalm usadas na Guerra do Vietnã, as bombas atômicas usadas em Hiroshima e Nagasaki usadas na Segunda Guerra Mundial, os meninos africanos morrendo de inanição. Sinceramente acho uma tarefa impossível, eleger a crueldade do século. Não há limites para o ser humano se tratando de crueldade. O mais plausível é falarmos em crueldade do momento.
Podemos minimizar a crueldade do ser humano, dizendo que isto são situações excepcionais, que isto não acontece no dia a dia. Em nosso cotidiano a crueldade quase não aparece. Mentira, mentira, mentira. Não vou ser hipócrita de dizer tamanha bobagem. A crueldade esta ai por todos os lugares. As mães que maltratam os filhos e vice-versa. Os maridos que espancam as esposas. As esposas que traem os maridos. O chefe que maltrata o subalterno. Os garotos da escola, que escolhem o bobo da corte para ser maltratado e humilhado. Os homicídios diários. O que mais me espanta em tudo isto, não são as pessoas que apenas cometem crueldades. Mas a promoção social que se tem ao cometer crueldade. Os garotos malvados são populares, queridos por todas as garotas. Os maridos que batem nas esposas são rapidamente promovidos no emprego. A única conclusão que posso tirar, é que ser cruel é um meio de promoção social. A crueldade é encarada como uma qualidade do ser humano empenhado em crescer.
Inclusive os personagens malvados são admirados por todos. Quantos vilões de Hollywood se deram bem, alias ser o Coringa é uma grande honra. Jack Nicholson se deu melhor nos seus papeis de vilões, se imortalizou sendo mal. A crueldade é mesmo uma qualidade admirada e invejada pelos demais. É de fato o auge do poder humano. Falando da crueldade lembrei de uma história incrível. Um ato cruel que até Stalin invejaria. Sem disparar um tiro sequer o vizinho matou o outro. Não houve luta ou contato corporal. A história é mais ou menos assim, um senhor já idade com aproximadamente setenta anos cuidava de passarinhos. Ele cultivou este habito por toda vida. Sabe aquelas coisas que sabemos, mas não lembramos quando foi que a gente começou ou aprendeu. Exemplo não me lembro quando aprendi sobre o continente Africano. Não consigo lembrar a época que apontei no mapa e exclamei: eis o continente Africano. Pois então, assim era a relação do senhor com os pássaros.
Este senhor foi casado por uma três décadas, mas sua mulher faleceu. Foi duro pra ele esta fase. No entanto, foi superado. Ele continuou cuidando dos pássaros. Inclusive ele adorava mostrar para outras pessoas os lindos pássaros que ele tinha. Enfim, a vida deste senhor era os pássaros. É até complicado dizer quem cuidava de quem naquela relação. Mas a felicidade faz mal nos olhos do outro. Um vizinho nada satisfeito com a vida boa, que aquele senhor levava. Resolveu mudar tudo na vida deste senhor. Não foi difícil, ele pensou no obvio ululante, ou seja, para onde o nariz aponta.
O senhor gostava dos pássaros então era só tirar dele os bichos e estava tudo certo. O vizinho ligou para a Policia Ambiental e denunciou: No endereço tal, um senhor cria pássaros silvestres sem qualquer licença ou regulamentação. Ele é muito perigoso, não vão até lá sem reforços. No dia seguinte lá estava a Policia com várias viaturas na porta da casa deste senhor. Invadiram a casa, acharam vários pássaros raros e silvestres, muita irregularidade. Havia armas de fogo na casa do senhor, espingardas antigas. Os Policiais não tiveram dúvida o senhor foi preso, levado pra Delegacia e só teve liberdade provisória por que pagou a fiança. Na verdade a filha dele, quem pagou. Isto aconteceu na quarta-feira e na sexta-feira o velho foi encontrado morto por um dos seus filhos. Ele se enforcou e não deixou nenhuma carta.
Pois bem isto hoje em dia é um motivo de parabéns, a crueldade é de fato promoção social. O grande problema é que eu não consegui ainda entrar nesta lógica social. Sou muito bobo e por fim não consigo ser cruel, logo não serei promovido. Mas se não sei responder com silêncio, vou responder ao melhor estilo, com irreverência. Já que não consigo ser assim, mal. Vou dizer que desejo tudo em dobro aos cruéis. Somente isto, tudo o que eles fazem que um dia ou menos dia volte em dobro pra eles. Isto não é julgamento de valor ou raiva é apenas o reconhecimento do trabalho feito pelos cruéis. Nada mais justo e ético do que receber em dobro tudo o que você fez, qualquer comerciante ficaria satisfeitíssimo em receber tudo em dobro do que comprou. E assim recebendo tudo em dobro, os cruéis poderão dormir com a consciência tranqüila, sem nenhum pesar, sem nenhuma dor, nenhuma divida. E assim os cruéis poderão continuar fazendo tudo o que bem entende e continuaram sendo venerados.