segunda-feira, 24 de maio de 2010

Minhas limitações


Comecei este texto ao pensar sobre mim mesmo. Alias sempre penso na teoria de Guimarães sobre ser universal. Não há modo melhor em ser universal, sendo você mesmo, falando de suas particularidades, falando do quintal do terreiro de sua  casa.. Provo que Deus existe, pensando na minha limitação de ser finito. Somente Deus é quem explica o infinito, os matemáticos pensam que sabem do que estão falando, mas no fim estão todos perdidos. Assim como eu, que estou literalmente perdido. 

Acredito que nós gostamos de nos enganar. Gostamos de viver situações, que estão condenadas ao fim. Qual é o problema disto, aparentemente nenhum, já que temos a máxima de que tudo tem um desfecho e nada é para sempre. Pra sempre, sempre acaba. Isto, pode ser uma visão simplista de uma série de coisas bem mais complexas. Gosto de pensar em possibilidades, vivemos em um mundo cheio delas, possibilidade boas e ruins. É até simples, explicar esta infinitude de acontecimentos. Vivemos em um mundo com pouco mais de seis bilhões de pessoas, naturalmente isto gera uma série tentativas e erros, como também acertos. Não precisamos acertar sempre, precisamos acertar muito de vez em quando. Algo em torno de 0,01 % da nossas tentativas. Isto não quer dizer que seja facil, alias detesto esta ideologias baratas que se vendem neste 'livros' de auto ajudas, onde eles resumem tudo na sua vontade e que se você suar a camisa vai dar tudo certo. Caso dê tudo errado, a culpa é sua e não do sistema. Tudo esta em perfeita harmonia é você quem falhou. Me poupe, isto não funciona comigo e isto não é uma visão simplista de ver o mundo é uma visão estupidamente ululante e idiota de ver as coisas. 

O ser humano realmente é complexo, ele trai a si mesmo e isto não acontece em raras ocasiões. Pelo contrário, nos traímos reiteradas vezes. O maior traidor meu, sou eu próprio. Ninguém me traiu mais vezes do eu. Nem mesmo minha mãe, uma das mulheres que amei, um grande amigo, meu próprio filho. Eu sem sombra de dúvidas, sou o maior traidor de mim mesmo. E por qual motivos faço isto, confesso que não sei. É um ato constante de auto-flagelação. Talvez faça isto por medo, medo de descobrir minhas limitações. Por isto, me esquivo das verdades que me diminui e me coloca no espaço de homens comuns. O fato que ser alguém hoje diferente é algo com 100 mil em 6 bilhões, as probabilidades são minimas. Se podemos dizer, que para nascermos vencemos milhões de espermatozoides, como vencer bilhões, que já venceram também os milhões. Tudo fica assim, em números astronômicos e nada animadores. Eu penso, que teria mais tranquilidade se não pensassem em termos de competição. No entanto, toda lógica da história da humanidade perparssou por uma intensa disputa. Se hoje não temos os Gregos, nem os Romanos, ou o Império Britânico, até pouco tempo tínhamos o Império Ianque, agora temos o Chinês. O que temos de comum em todos estes impérios é a o espirito de competição intensa, em que só se esta satisfeito no topo da piramide. Depois de décadas, séculos ou alguns anos, tudo perde a importância e nem sabemos explicar o motivo de tantos cadáveres.

Neste espirito de estar sempre no topo, a competição começa em sua própria casa. Quantas vezes na minha modesta vida, quis provar a minha própria mãe e o meu pai, que sou muito melhor do que eles, em todos os aspectos. Meus irmãos nem se fala, sempre fui melhor do que eles, até mesmo no que sou o pior. O bizarro de tudo isto é pensar, que mais do que ninguém eu sempre soube os meus defeitos e acima de tudo minhas limitações, mas sempre tinha uma desculpa na ponta da língua para justificar os fracassos. Que publicamente nunca foram fracassos, foram na verdade minha falta de vontade em vencer, se realmente quisesse teria vencido.

Sempre mascaro a realidade e quando eu bem entender, estarei no topo. Nasci para vencer, mesmo que não haja nada que comprove isto. Alias se sei que vou perder, pois apesar de toda aparência, conheço bem as minhas limitações, mesmo que não reconheça isto nem mesmo pra mim, mas no fundo e no meu inconsciente sei da verdade. É o que acontece, quando você esta perdidamente apaixonado por uma garota linda e cobiçada por todas. Tudo bem, fui feliz com as mulheres, mas acho que isto ilustra muito bem o que estou dizendo sobre as minhas limitações, mesmo que este exemplo não se aplique a mim. Voltando a ilustração, temos uma garota linda e um rapaz comum. A garota o trata muito bem, sai com o rapaz, conversa, conta confidências, alguns garotos até tem inveja do garoto e o perguntam. Por quê você não fica com ela? O garoto conhecendo sua limitação, apenas diz: Aquela garota? Ela é muito fútil, se acha, tem outras mais interessantes por ai, não tenho nenhum interesse por ela. Melhor dizer isto, do que correr o risco de levar um fora.

Talvez isto explique muitas escolhas insensatas minhas, muitas resistências incompreensíveis, posições sem qualquer razão e a vontade de estar sempre no topo. Peço desculpas a algumas pessoas, que tenho certeza, que magoei, trai e não fui fiel de nenhuma consideração. Espero que entendam, que não fiz isto por pura maldade. Às vezes, estou realmente confuso e não sei o que realmente quero. Posso fazer isto por medo, por vergonha, por egoísmo, por vergonha de mostrar a realidade. Assim como fazem os governos, que mascaram os números. Escondem o número de homicídios, o número de mortos em acidentes de transito. O número de epidemias, são poucas pessoas, que tem a coragem de dizer, viver é perigoso. Guimarães repetiu isto muitas vezes, de formas diferentes, ele sempre bateu nesta tecla, com esta frase simples e boba, que vida não é tão simples quanto parece.

Talvez a gente goste mesmo de complicar, isto pode dar mais graça. Eu não sei, mas nunca saio feliz de uma história feliz. Ao conhecer JeanValjean, gostei muito da história deste homem, por tudo o que fez, por tudo aguentou. No fim, quando soube que ele morreu de uma das formas mais melancólicas possíveis, chorei, feito uma criança. Alias só as criança sabem chorar, por isto precisei mencionar a metáfora. O fato que a morte de JeanValjean no fim me deixou mais feliz, por mais que eu quisesse que ele permanecesse entre nós. Talvez ele seja bom demais, para viver neste mar de lama ou a gente precise mesmo de uma histórias destas, para entender o valor das nossas limitações, que no fim das contas é uma completa besteira. A partir de hoje, não ligo em perder, alias ser o ultimo não é motivo de vergonha. O que não quero mais é guardar as minhas limitações apenas pra mim e mais ninguém. Sou sim, perdedor, mas digno e sensato.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Emmanuelle

Eu não sei, ando meio relapso. Não lembro bem se já falei de Emmanuelle, uma das mais belas garotas que já passou pela minha vida, alias este é um dos casos de amor mais lindo que já ouvi falar e não estou dizendo isto, por ter amado aquela mulher. Poucas histórias tem mesma gama de vontade e intensidade do que esta, que vou contar agora.

O nosso romance começou como todo bom caso de amor deve começar, por uma tragédia. Talvez eu esteja exagerando, mas é que conheci Emmanuelle já casada. Na época eu não sabia disto, fui saber depois, mas ela era casada. E nos apaixonamos mesmo assim, o laço nupcial não foi capaz de conter aquela onda de amor avassaladora. Eu não sabia, mas Emmanuelle sabia que era casada, além do mais ela é uma das pessoas mais doceis que eu já conheci. Sua docilidade é apaixonante, além de seu olhar, sua boca, cheiro. Tudo o que me lembra Emmanuelle é sinônimo de amor,.

Emmanuelle além de tudo era Francesa, não sei se é fetiche, mas acho que uma mulher Francesa e deveras interessante, é algo incrível, impossível de ser transcrita em palavras ou em algo pronunciável. Só posso dizer que ela era loira e tinha um olhar fatal. Nos conhecemos e eu tive a sorte de que a paixão fosse algo mútuo, podíamos ficar horas conversando sobre qualquer coisa e suportávamos muito bem o silêncio, alias nenhuma situação era inconveniente para mim e Emmanuelle. Ela era da cidade de Toulouse e provavelmente eu nunca saberia nada desta cidade se não fosse por ela. Depois de conhece-la fui saber que a cidade, fica no sul do pais, nas margens do rio Garona tem uma população de pouco mais de um milhão de habitantes e faz parte da França desde 1271. Confesso, que depois deste romance fui obrigado a conhecer a cidade, que tem um clima muito charmosa, além de ser muito bem freqüentada pelos estudantes universitários, que são quase 10% da população da cidade. Na minha memória de Toulouse lembro da maravilhosa Emmanuelle e dos arcos das pontes que passam por cima do rio Garona, pra mim isto basta.

Alias tem dias que para melhorar o meu humor, basta lembrar dos beijos de Emmanuelle ou de como era bom tocar em sua mão, aperta-la e sentir um pouco de seu suor. Até mesmo ouvir sua voz, lembro que toquei algumas músicas francesas pra ela cantar, alguma de Edit Piaf e gravei tudo isto, na verdade eu queria ter algum registro de sua voz, para ouvi-la em momentos que eu saberia que não estaria mais com ela. Alias, sempre soube que aquele amor não era pra sempre, era muito intenso, muito coeso, não poderia ser pra sempre. Um amor verdadeiro dura pouco tempo, mas de fato é eterno. O tempo do mundo dos homens não é capaz de suportar esta intensidade de amor. Por isto, sempre soube que aqueles dias maravilhosos em Paris seriam por pouco tempo.

Alias depois de me encontrar com Emmanuelle em Marrocos, que fui saber que ela era casada. Ela não me contou, eu só a revi com o seu marido. É claro que foi algo inusitado e na hora tanto eu quanto ela, não sabíamos o que fazer, mas foi impossível fingir que não nos conhecíamos. Tivemos que dar alguma desculpa qualquer e o marido dela acabou não complicando. Vê-la novamente e com o marido foi muito complexo para mim, fiquei sem saber o que fazer, nada mais fazia sentido, nem mesmo a minha vida de rei em Marrocos. Talvez o momento mais difícil foi quando o pianista tocou As Times Goes By uma das poucas coisas escritas, cantadas e faladas, que podia exprimir o nosso amor.

Emmanuelle na primeira oportunidade que teve para falar comigo a sós, disse que me amava, que não esquecia dos dias em Paris, que foi para naquela cidade por conta do marido, mas ele sumiu e ela pensou que ele tivesse sido assassinado. Quando me conheceu estava desolada e não conseguiu conter o seu amor. Tudo culminou para que o nosso amor acontecesse em Paris e depois disto ele eternizou. O cômico em tudo isto é pensar que só conheci Emmanuelle por conta do seu marido. Ele tinha parentes em Toulouse foi passar lá um final de semana e conheceu Emmanuelle, depois de muito tentar, conseguiu conquista-la e por fim casaram-se.

Acredito que o marido de Emmanuelle ficou uns dois anos a cortejando para então casarem, foi quando ela foi morar em Paris. Com quase dois anos de casamento, quando sequestraram o marido de Emmanuelle e ela sem saber como agir pensou que os criminosos tinham dado fim a vida do seu esposo. É mais ou menos neste momento que apareci, em uma das poucas vezes na vida que estive em Paris, acho que depois disto fui lá no máximo mais duas vezes. Conheci Emmanuelle e me apaxonei naturalmente, mas só fui conhece-la por conta do casamento e só por isto ela foi morar em Paris, caso contrário, jamais teria conhecido Emmanuelle ou talvez fosse conhece-la em outro lugar do globo, tenho uma convicção muito forte em mim, que amores como o meu e de Emmanuelle são obrigados a acontecerem, mesmo que haja uma guerra mundial, como a Primeira e Segunda na era dos Extremos, mesmo assim teríamos nos amado, com a mesma intensidade e afinco.

Depois de Marrocos nunca mais vi Emmanuelle, mas tenho certeza que assim como eu, ela nunca viveu outro amor com a mesma intensidade que o nosso. Só amor imortaliza, só fui entender isto, depois que conheci Emmanuelle. E entendo perfeitamente que nosso amor tenha durado pouco mais de um mês, como eu já disse, o mundo dos homens não comporta tamanha intensidade de amor, 'eles' conspiram contra você e por mais que você lute, vai ter que aceitar a derrota. É por isto que muitos casais fazem pacto de morte, somente a eternidade suporta o amor, o mundo carnal é limitado e não pode suportar nada que lembre o infinito.