terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Totalmente satisfeito

Depois de certo tempo de experiência de vida, você passa a refletir muito sobre tudo. Tomar uma atitude, agir, ação já não é tão importante assim, isto é tarefa para os jovens. Mas me impressiono como tudo é motivo pra reflexão depois de certa fase. Qualquer dialogo, gesto, sinal, luz, outdoor, fato, filme, livro, aborrecimento, briga é motivo para pensar. Penso no sentido de tudo e quanto mais faço isto, menos entendo. Na verdade não me incomodo, não sei mais se faz sentido entender algo.

Um dia desses refleti sobre algo que sempre reflito. Estava pensando sobre o ponto ideal, sobre o ápice, o Ph ótimo, o auge. Estive pensando que nunca chego lá. Sempre me falta algo e se eu tenho o que me falta sempre há um defeito ou engano. Não consigo sentir totalmente satisfeito. Sempre falta algo, nem sempre é algo desastroso, mas a cereja do bolo nunca esta lá. É a pincelado final, o toque do goumert. É o que nos faz dizer este filme é de tal diretor, este texto é de tal autor. É a nossa singularidade. Neste caso é a minha satisfação total, é o que o meu ego quer ouvir, ter, sentir, cheirar, tocar, ver, imaginar, mostrar, exibir, deslumbrar, saborear. E isto é, um processo bem único.

A cada nova experiência tenho a certeza de que irei me sentir satisfeito. E isto é quase sempre tão certo, tão garantido, que nunca duvido que vá acontecer algo para me atrapalhar. Não lembro que sempre tem alguém, pra comer a cereja do seu bolo. Parece que alguém sempre tem o prazer de estragar o seu deleite máximo. No entanto, sempre acredito que desta vez vai dar certo, tudo indica que estou no traçado correto. E na hora de ver o bolo a cereja nunca esta lá, já foi comida. Como tenho as fraquezas de todo homem, como o bolo. Mesmo que ele esteja um pouco amargo, azedo ou até mesmo sem gosto. E sem estar totalmente satisfeito acabo aceitando as minhas “vitórias”, meu consolo sempre é a próxima batalha.

Acho que isto não acontece só comigo, vejo outras pessoas reclamarem de coisas parecidas. O próprio consumismo parece muito se com isto. Compramos para completar o que nos falta. Não importa que seja um tênis, uma blusa, um sofá, um aparelho celular, uma televisão, um notebook, um carro, uma casa, um iate, um jatinho, um barco. Enfim a lógica é bem simples compro algo e irei me sentir satisfeito. Isto não dura por muito tempo, é claro que varia de pessoa para pessoa esta duração de felicidade completa ou satisfação máxima. O interessante que basta este sentimento terminar, compramos outra coisa e logo o temos novamente.

Pode ser que isto funcione para alguns. Outras pessoas não são necessariamente consumistas, poucas é verdade. Mesmo os consumistas um dia descobrem que não é isto a cereja do bolo. Na verdade este é o grande problema, distinguir o que realmente falta e o que não mudaria em nada. Sinceramente meu longo tempo de reflexão ainda não conseguiu clarear o que seria este toque final. Mas por ser algo bem pessoal e singular talvez seja impossível fazer alguma distinção. Pra alguns pode ser um prato de comida feito por alguém especial, para outros pode ser o filho que não vem, pra uns pode ser uma viagem ainda não realizada, uma conversa amiga com alguém especial.

Enfim pode ser tanta coisa, pode ser simples, difícil, demorado, rápido. Poder ser muito possível ou quase impossível e talvez não seja bem isto que faltava.
Este ponto chega a ser dramático, quando enfim chegamos ao objetivo “final”. Descobrimos que não era bem isto que faltava, o que fazer? Tentar de novo é que sempre fazemos. Ficamos um tempo farejando o que pode ser e quando temos o mesmo sentimento de certeza, lá vamos nós novamente atrás de nossa cereja. E nestas inda e vindas, apagamos as frustrações da memória e vamos em frente. Às vezes com o espírito cem por cento renovado, outras nem tanto. Com o tempo nos acostumamos com esta rotina de farejar, lutar, conquistar e nos frustrar. O que me pergunto agora é se realmente existe a satisfação máxima é como dizem: existe ou não o ponto G das mulheres?

Partindo de mim como princípio, sem maiores pretensões de ser o exemplo. Não consigo dizer se realmente existe a satisfação máxima, pra mim sempre faltou algo, nunca disse a mim mesmo: “Perfeito, não precisa mudar mais nada”. Sempre há algo pra melhorar, pra não ficar na inércia de não produzir nada acabo publicando e que se danem as críticas. É única forma que consigo encontrar para viver, para experimentar, vivenciar, deleitar. Se não fizer isto, não faço nada. Preciso dizer que se dane a minha satisfação completa. Esta não é a mulher que eu sonhei, mas é com ela que vou sentir prazer. Este não é o emprego dos meus sonhos, mas é com ele que vou viver a minha vida comum. Este não é o restaurante dos meus sonhos, mas é o que eu posso pagar. E quem disse que eu preciso do melhor pra me sentir bem, talvez eu esteja me enganando pra viver ou estou apenas sendo uma pessoa sensata.

Esta história toda me fez lembrar do episódio que presenciei. Uma linda garota que eu conhecia, namorava um rapaz. Eles se conheceram de forma meio atabalhoada, se não me engano em uma estação de metro ou na espera de uma consulta médica ou odontológica, enfim os três casos são um tanto inusitados. Mas isto não importa muito, o que interessa é que eles gostaram um do outro, a conversa fluiu e o beijo foi natural. Logo viraram namorados, unha e carne. Era incrível o amor dos dois. Tudo se encaixava perfeitamente, dava até inveja em ver um casal tão feliz. No entanto um dia o belo rapaz conheceu uma moça, foi no local de trabalho, mas mesmo assim eles trocaram um beijo, somente um beijo, demorado de uns três minutos. Foi um tanto embaraçoso, pois logo depois do beijo a namorada do rapaz estava lá o esperando. Ela não viu nada, apenas ficou com ciúmes da moça, pois esta muito bonita.

Depois disto o rapaz continuou procurando a moça, mas ela o evitou, sabia do namoro e não queria ser a outra e nem atrapalhar aquele lindo casal. Mas nestas investidas do rapaz, ele acabou a fazendo conhecer um colega deste rapaz. Logo o tal colega investiu na garota e estava com ela. Os dois também se amaram loucamente, logo casaram e eram felizes, apenas não foi pra sempre. O rapaz ficou sabendo que o seu colega casou com a garota. Ele continuava tendo o seu namoro quase perfeito, mas ficou intrigado com o casamento da outra. Foi atrás dela e se tornaram amantes, foi por pouco tempo, logo os dois falaram aos seus respectivos parceiros o que estava acontecendo e decidiram terminar as relações para ficarem juntos.

Depois ocorreu o inverso, os amantes, que se tornaram os legítimos foram traídos pelos traídos. Na verdade não foram traídos, pois não estavam mais juntos, mas a moça traída ficou com o colega traído. Logos os “traídos” resolveram a voltar tudo como estava, voltaram para os antigos parceiros, mas logo depois tudo acabou. Enfim era a busca do totalmente satisfeito, nenhum dos quatro envolvidos chegou neste ápice. Quando pensavam estar lá, tudo desabava e começavam de novo, tentaram entre eles de todas as formas possíveis algo de que desse certo, não foi possível. Eu vou continuar farejando, conquistando e me frustrando, não me importo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Ótimo querido!!! Mas... quem era a dentista msm???

Jay disse...

Estive conversando com um amigo sobre essa questão da "eterna busca do perfeito" só que sobre outra visão.
E enfim chegamos a conclusão que essa visão e a necessidade do perfeito está nos olhos de quem vê.
Como eu sou "gado" , humana e whatever que seja vou, como você, continuar tentando e me frustrando.

Mto bom mesmo o post.

Anônimo disse...

Acho que a vida é isso Faria , ou Martins como preferir... A improvável chegada ao topo provavelmente, acredito eu, não nos moveria a continuar buscando a cereja do bolo... Por isso seremos eternos Rubinhos Barrichelos buscando a perfeição... Não que sempre vá haver um Schumacher na nossa frente... abraços de Izac... EP3, saudades...