Tão difícil partir. Nada mais complicado do que morrer. Falecer é uma grande partida. Temos várias durante a nossa vida. A mais dolorosa e sem sentido é a morte. É claro que falo sem sentido, pois estou do lado de cá. Talvez do lado de lá isto faça muito sentido e seja visto com bons olhos. Mas como o apego é grande preferimos não teorizar muito sobre o lado de lá. É o fim da linha pra nós e pronto. Não há muito que explicar. Melhor assim, estas discussões onde não se levam a nada são inúteis (Fala dos idiotas da objetividade).
Se tivermos de partir, temos de chegar. Temos de mudar. Existe toda uma necessidade de acontecer. É como costumo pensar sempre, como é engraçado a vida dos seres humanos. Sempre fico pensando como deve ser cômico ver a vida das pessoas em um nível geral. Ver milhares de pessoas acordando cedo ou tarde, se arrumando pra ir pro trabalho, escola, faculdade, encontro, desencontros, academia, enfim. Deslocando vários quilômetros ou alguns quarteirões. Isto sem falar nos vários meios de transporte usados, carro, caminhão, patins, tênis, bicicleta, cavalo, carroça, avião, helicóptero, ônibus. Depois que terminamos as nossas obrigações voltamos pra casa ou então passamos em um bar antes para tomarmos uma cerveja com os amigos. Alguns encontram com os amantes antes de ir pra casa. Mas no fim das contas todos voltam pra casa. Quer dizer todos não, alguns morrem antes de chegar. Isto pode acontecer, tanto na ida, quanto na vinda ou durante qualquer momento do dia. Em todo tempo.
Este pensamento cômico me faz pensar nas formigas, aprimorando o pensamento, num grande formigueiro. Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, estas grandes metrópoles não passam de um grande formiguei humano. E assim como olhamos um formigueiro e as formigas pensamos, que aquilo é uma grande inutilidade. Com certeza alguém pensa isto de nós ao nos observarmos, Deus, pode ser. Vidas fora da terra também, enfim deve ser muito caricato esta visão. E quando alguém pisa na formiga, esmaga aquele ser vivo. É o mesmo que acontece quando somos atropelados, quando um furacão invade uma cidade ou quando acontece um terremoto. Em proporção menor quando alguém mata uma pessoa. Enfim assim como as formigas estamos indo e vindo. Ficamos feito baratas tontas, num movimento constante sem fim e sem sentido.
Tudo bem esta visão geral e cômica não ajuda
O que fica no ar é se temos este direito. Podemos dizer ao outro: “Vai ser feliz, o caminho é por ali”. Eu aponto a direção, eu sei o que é melhor pra você. Eu me pergunto: Que merda é esta? Afinal quem concedeu tamanha honra. É o que acontece sempre numa mesa de familiares ou amigos. Onde as pessoas começam a falar da vida de outra pessoa, que coincidentemente não está ali presente de corpo e alma. Se as pessoas falassem apenas de fatos pragmáticos, não seria ético, mas talvez justificável. Agora dizer sobre a personalidade da pessoa, sobre o estimulo dela. Como já disse anteriormente, sem estimulo a raça humana seria extinta, varrida do globo em questão de segundos. Me diz, com que direito digo sobre o estimulo de alguém. Nem do meu eu dou conta.
É o que acontece sempre quando vou ao psiquiatra ou ao psicólogo. É algo que costumo fazer com freqüência. Enquanto uns vão a igreja, ao bar, ou para Ilhéus. Eu vou ao psiquiatra. Alias sempre que vejo o Ricardo e sua irmã Larissa eles me perguntam. Então aonde vai amigo? Eu respondo com tranqüilidade: Vou ao psiquiatra, tenho de estar lá daqui a trinta minutos. Até mais, abraços. Às vezes retribuo a pergunta. Eles sempre estão indos passar uns dias num cruzeiro atlântico. E no final das contas, quem faz cara de espanto são eles. Afinal tem alguma demência quem vai passar uns dias num iate, que vai navegar pelo oceano pacifico?
Mas voltando ao meu habito de ir ao psiquiatra ou psicólogo, depende do meu nível de humor e curiosidade, escolho um dos dois. Sempre me pergunto, por que ele é um psiquiatra. Afinal o que da o direito dele denominar que alguém é louco ou não. Um diploma de médico, com especialização em psiquiatria? Isto é o bastante para alcançarmos à sobriedade eterna? E um psicólogo? O que dá o direito pra ele julgar o meu estado psicológico ou qualquer outro ser humano ter este privilegio. Novamente irão-me dizer que é o diploma de psicólogo. Acho ótimo isto, tenho um diploma e posso agora dizer você é maluco ou você não tem um bom psicológico é um fraco.
O meu psicólogo mesmo é um fracasso. Tem um filho problemático. Parece que o menino é viciado em cocaína, heroína e não sei mais o quê. Segundo ele o menino é muito inteligente, acima da média. Mas sempre toma escolhas erradas. Parece que já começou uns cinco cursos universitários, mas não terminou nenhum. Já teve alguns empregos muito bons, mas também não continuou. Ao que me parece o garoto só tem persistência com drogas. Nisto não há quem o empeça de continuar, nem mesmo o seu pai psicólogo, conceituado e muito bem falado no meio. Parece que a filha dele se deu bem, só teve dois filhos de pais diferentes antes dos vintes anos, mas tirando isto é uma ótima pessoa. A vida afetiva dele parece ser ótima também, se não me engano já teve seis casamentos. É um homem disputado.
O meu psiquiatra é uma pessoa tranqüila e paciente, ele só não pode esquecer de tomar os seus remédios tarja preta. Alias ao começar uma consulta ele sempre me fala, daqui a trinta minutos tenho de tomar um remédio. Ele toma vários, então não pode errar os horários, pois caso contrário pode até sofrer uma overdose. No meio da consulta ele levanta e pede licença. Volta e fala: - Este é crucial para manter a minha lucidez. Ele tem uma teoria interessante. Segundo ele todos são malucos, mas com o avanço das áreas médicas temos os remédios, que reduzem e/ou controlam estes distúrbios. Por isso todos devem tomar remédios, do contrário, iremos tomar atitudes fora do padrão aceitável pela sociedade. Eu sempre minto e digo que estou tomando todos os remédios que ele me receitou. Pra mim remédio é só mais uma dependência química e de vício, eu já estou cheio.
Eu posso não ser psicólogo, psiquiatra, cartomante, futurólogo, um messias, mas quem pode nos dizer? - Vai ser feliz.