segunda-feira, 17 de maio de 2010

Emmanuelle

Eu não sei, ando meio relapso. Não lembro bem se já falei de Emmanuelle, uma das mais belas garotas que já passou pela minha vida, alias este é um dos casos de amor mais lindo que já ouvi falar e não estou dizendo isto, por ter amado aquela mulher. Poucas histórias tem mesma gama de vontade e intensidade do que esta, que vou contar agora.

O nosso romance começou como todo bom caso de amor deve começar, por uma tragédia. Talvez eu esteja exagerando, mas é que conheci Emmanuelle já casada. Na época eu não sabia disto, fui saber depois, mas ela era casada. E nos apaixonamos mesmo assim, o laço nupcial não foi capaz de conter aquela onda de amor avassaladora. Eu não sabia, mas Emmanuelle sabia que era casada, além do mais ela é uma das pessoas mais doceis que eu já conheci. Sua docilidade é apaixonante, além de seu olhar, sua boca, cheiro. Tudo o que me lembra Emmanuelle é sinônimo de amor,.

Emmanuelle além de tudo era Francesa, não sei se é fetiche, mas acho que uma mulher Francesa e deveras interessante, é algo incrível, impossível de ser transcrita em palavras ou em algo pronunciável. Só posso dizer que ela era loira e tinha um olhar fatal. Nos conhecemos e eu tive a sorte de que a paixão fosse algo mútuo, podíamos ficar horas conversando sobre qualquer coisa e suportávamos muito bem o silêncio, alias nenhuma situação era inconveniente para mim e Emmanuelle. Ela era da cidade de Toulouse e provavelmente eu nunca saberia nada desta cidade se não fosse por ela. Depois de conhece-la fui saber que a cidade, fica no sul do pais, nas margens do rio Garona tem uma população de pouco mais de um milhão de habitantes e faz parte da França desde 1271. Confesso, que depois deste romance fui obrigado a conhecer a cidade, que tem um clima muito charmosa, além de ser muito bem freqüentada pelos estudantes universitários, que são quase 10% da população da cidade. Na minha memória de Toulouse lembro da maravilhosa Emmanuelle e dos arcos das pontes que passam por cima do rio Garona, pra mim isto basta.

Alias tem dias que para melhorar o meu humor, basta lembrar dos beijos de Emmanuelle ou de como era bom tocar em sua mão, aperta-la e sentir um pouco de seu suor. Até mesmo ouvir sua voz, lembro que toquei algumas músicas francesas pra ela cantar, alguma de Edit Piaf e gravei tudo isto, na verdade eu queria ter algum registro de sua voz, para ouvi-la em momentos que eu saberia que não estaria mais com ela. Alias, sempre soube que aquele amor não era pra sempre, era muito intenso, muito coeso, não poderia ser pra sempre. Um amor verdadeiro dura pouco tempo, mas de fato é eterno. O tempo do mundo dos homens não é capaz de suportar esta intensidade de amor. Por isto, sempre soube que aqueles dias maravilhosos em Paris seriam por pouco tempo.

Alias depois de me encontrar com Emmanuelle em Marrocos, que fui saber que ela era casada. Ela não me contou, eu só a revi com o seu marido. É claro que foi algo inusitado e na hora tanto eu quanto ela, não sabíamos o que fazer, mas foi impossível fingir que não nos conhecíamos. Tivemos que dar alguma desculpa qualquer e o marido dela acabou não complicando. Vê-la novamente e com o marido foi muito complexo para mim, fiquei sem saber o que fazer, nada mais fazia sentido, nem mesmo a minha vida de rei em Marrocos. Talvez o momento mais difícil foi quando o pianista tocou As Times Goes By uma das poucas coisas escritas, cantadas e faladas, que podia exprimir o nosso amor.

Emmanuelle na primeira oportunidade que teve para falar comigo a sós, disse que me amava, que não esquecia dos dias em Paris, que foi para naquela cidade por conta do marido, mas ele sumiu e ela pensou que ele tivesse sido assassinado. Quando me conheceu estava desolada e não conseguiu conter o seu amor. Tudo culminou para que o nosso amor acontecesse em Paris e depois disto ele eternizou. O cômico em tudo isto é pensar que só conheci Emmanuelle por conta do seu marido. Ele tinha parentes em Toulouse foi passar lá um final de semana e conheceu Emmanuelle, depois de muito tentar, conseguiu conquista-la e por fim casaram-se.

Acredito que o marido de Emmanuelle ficou uns dois anos a cortejando para então casarem, foi quando ela foi morar em Paris. Com quase dois anos de casamento, quando sequestraram o marido de Emmanuelle e ela sem saber como agir pensou que os criminosos tinham dado fim a vida do seu esposo. É mais ou menos neste momento que apareci, em uma das poucas vezes na vida que estive em Paris, acho que depois disto fui lá no máximo mais duas vezes. Conheci Emmanuelle e me apaxonei naturalmente, mas só fui conhece-la por conta do casamento e só por isto ela foi morar em Paris, caso contrário, jamais teria conhecido Emmanuelle ou talvez fosse conhece-la em outro lugar do globo, tenho uma convicção muito forte em mim, que amores como o meu e de Emmanuelle são obrigados a acontecerem, mesmo que haja uma guerra mundial, como a Primeira e Segunda na era dos Extremos, mesmo assim teríamos nos amado, com a mesma intensidade e afinco.

Depois de Marrocos nunca mais vi Emmanuelle, mas tenho certeza que assim como eu, ela nunca viveu outro amor com a mesma intensidade que o nosso. Só amor imortaliza, só fui entender isto, depois que conheci Emmanuelle. E entendo perfeitamente que nosso amor tenha durado pouco mais de um mês, como eu já disse, o mundo dos homens não comporta tamanha intensidade de amor, 'eles' conspiram contra você e por mais que você lute, vai ter que aceitar a derrota. É por isto que muitos casais fazem pacto de morte, somente a eternidade suporta o amor, o mundo carnal é limitado e não pode suportar nada que lembre o infinito.

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