quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bife a rolê

O dia não começou da melhor forma, acordei com sono, daqueles sonos que você daria tudo para continua-lo. Mas não tinha outra escolha, as minhas obrigações me esperavam e além do mais tinha duas caronas para irem comigo. Eu poderia deixar de fazer as minhas obrigações, mas não poderia tomar esta escolha por outras pessoas. Isto é no mínimo uma atitude ditatorial. Imagine só, você não ir ao trabalho, somente por que o seu caroneiro quis assim. Para não ser comparado a Napoleão me levantei, usei todas as forças que me restavam e venci o sono, uma batalha que travo constantemente e sempre acho uma mais difícil que a outra. O sono pode até perder a batalha, é aquela famosa máxima "Você vai cansar de bater e eu não vou cansar de apanhar", pois ele não se cansa mesmo de apanhar, todos os dias ou quase sempre luta contra mim, é verdade que perde, mas ele esta sempre ali. Confesso já perdi algumas batalhas, mas por conta das caronas tenho um plus à mais e venço na maioria das vezes.

Pois bem, depois de me arrumar e comer a minha refeição matinal vou de encontro as minhas duas caronas. Ao chegar no primeiro destino, eis que lá esta a minha carona, como prometeu de fato que estaria. Não falhou, não pestanejou, não se entregou ao sono, como poderia também te-lo feito, lá estava o carona. No segundo destino a mesma confirmação o carona estava lá, sem nenhuma reclamação ou desconfiança, nenhum dos caronas olharam nos meus olhos como se me perguntassem, você pensou em não vir? Eles não fizeram isto, foram inocentes como crianças, mal sabiam eles da verdade. Pelo caminho puxo o assunto de espirito de grupo, de cooperação e como as pessoas tem milhares de arte-manha para deixar tudo nas suas costas e na hora de colher os frutos, lá estão elas para receberem os parabéns. Dentro do carro o assunto é bem recebido pelos caronas, os dois concordam plenamente comigo, fazem alguns comentários, dão algumas risadas, mas a essência é mantida, em nada discordam de mim será que é por que tenho razão ou por que eles são os caronas. Enfim a minha dúvida talvez seja eterna, pois não adianta pergunta-los ficarei na indecisão da mesma forma, independente da resposta que me seja dada.

Agora chega no nosso ponto princípal o desenrolar de toda história, eu mal sabia o que me esperava. É aqui, que tudo se torna mágico o imprevisível, o inusitado ganha forma e vida, tudo se torna mais concreto do que o céu sobre as nossas cabeças. Eis que estou conduzindo o veículo e um outro um pouco a frente do meu na mesma faixa, para na pista, não sei dizer se para embarque ou desembarque, o fato é que o outro veículo parou pouco mais de vinte metros a minha frente. Penso em milesimos de segundo o que fazer, troco de faixa? para o veículo ? subo no passeio ? não paro o veículo ? Enfim não há muito tempo para pensar, penso no obvio.
Paro o meu veículo, uma freiada um pouco brusca confesso. Ah os caronas quase me esqueço deles, neste momento houve uma certa comédia. Os caronas no milésimo de segundo que eu pensava no que fazer, pensaram em me alertar, mas não falaram, não sinalizaram, apenas pensaram e foi tão alto, que consegui ouvir os pensamentos deles. Mas antes que eles externelizassem estes pensamentos já havia pisado no freio, já havia tido um barulho de borracha e asfalto. Até o momento não falei do imprevisível, isto não foi nada. O que acontecera no próximo segundo sim, que é imprevisível e ao mesmo tempo inevitável. Mas antes de conta-lo quero me ater na pequena reflexão que tive, sobre a compensação.

Vivemos no mundo da compensação e assim é pela própria lógica dele. O dinheiro circula, as mercadorias circulam e assim é com muitas coisas inclusive com as pessoas, com as suas interminaveis idas e vindas. Enfim um ato compensa outro e assim vai ao infinito. Da surgiu "Aqui se faz, aqui se paga", o próprio Direito é um estudo da compensação entres os seres humanos. A econômia é isto estudar a compensação dos bens do intercâmbio de valores. Nada mais do que compensação. Enfim vamos voltar ao inusítado. Eis que um segundo depois da minha freiada ouço um barulho de "BUM", não é necessariamente uma bomba foi o som de uma batida de automoveis, típico em cidades urbanas. Não olho no meu retrovisor, me nego a olhar um outro veículo colado no meu, sei que foi isto que aconteceu, sei que diferente de mim, o outro condutor não mantinha a distância de segurança.
Com certeza este indivíduo nunca parou pra pensar o que quer dizer: "Mantenha distância". Pois bem, viu como as coisas são compensações, ele não parou pra pensar na frase e agora se envolveu em um acidente de transito. E eu? que li a frase e compreendi muito bem o sentido da mesma? Bom talvez esteja compensando outra coisa, agora não consigo identificar o que é. Ao descer do veículo e analisar a situação, fiquei um tanto confortável o outro condutor iria arcar com o prejuízo, dei o beneplascito aos caronas, que prosseguissem a viagem, agora era só uma questão de tempo até tudo voltar ao normal. Na verdade ainda faltava a minha compensação e ela não demorou a chegar, veio logo no mesmo dia, no almoço, ao invês de ganhar um Bife a rolê, ganhei dois. Há meu maldoso leitor antes que pense, que conversei com a cozinheira, que falei com ela sobre compensação, te digo o contrário, não trocamos nenhuma palavra, mas mesmo assim fui compensado de todo o transtorno que passei naquele dia. Tudo graças ao Bife a rolê, que estava delicioso.

2 comentários:

Lu disse...

Eu preferiria bife à milanesa.. mas cada um com suas preferências culinárias, né? hehehe

Jay disse...

Tenho que concordar que o bife à milanesa seria mais interessante...mas pensando bem: como normalmente é muito grande, talvez tenha uma lógica social em se permitir 2 rolês e apenas 1 milanês, não acha?

Gostei do blog, foi Alexandre quem indicou.
=)