segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

As coisas não são o que parecem ser


Nestes dias vi mais um filme dos irmãos Coen e fiquei empolgadíssimo com o filme. Ele é simplesmente genial, fantástico, surpreendente. Por falar nisto, um amigo meu me disse algo muito interessante. Estávamos falando de um outro amigo e dizíamos que ele tinha um problema em seus atos, pois ele nunca conseguia grandes feitos. E o meu amigo disse tudo, falta gana para este nosso amigo. Isto mesmo, gana, vontade, persistência, insistência. As pessoas precisam disto para viver e saborear as coisas do mundo. Não me faltou gana ao ver este filme, cada quadro foi saboreado lentamente, com muita vontade. Depois do filme fiquei anestesiado, pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo.

Os irmãos Coen falam de assuntos que me interessam. Às vezes eles exageram no seu humor negro, mas não é por causa disto que vou deixar de gostar do que eles fazem. Eu gosto dos pontos de vista levantados por eles. O filme termina com uma frase impactante “E, no final, o que nós aprendemos?”. Pois é o que fizemos? O que construímos? E afinal de contas no que deu aquele livro que você leu? Aquela formula de matemática que você resolveu? Enfim, o que nós aprendemos? No fim das contas parecemos formigas. Nada mais que formigas. Já viram como é engraçado, uma formiga percorre uns trinta metros, que deve ser uma distancia quilométrica pra ela, chega uma pessoa e pisa na formiga, que estava carregando algo trinta vezes mais pesado do que ela. Todo aquele esforço empreendido foi em vão.

No fim das contas é o que acontece conosco, estamos em nosso veículo. Um menino de dez anos de idade, que nunca saiu do bairro dele. Aproxima do carro segurando um revolver calibre 38. Ele segura a arma com as mãos tremulas e diz timidamente: é um assalto. O homem se assusta e tenta arrancar. O menino assustado puxa o gatilho. O tiro é certeiro acerta na testa do homem, que morre imediatamente com os miolos estourados. O menino mal vê o rosto do homem, só vê muito sangue. Logo em seguida ele sai correndo sem rumo e direção. O menino não sabe se o homem morreu, ele só queria o relógio e uns trocados. Não queria atirar em ninguém. O homem estava indo buscar o seu filho, de Cinco anos, na escolinha. Neste dia ele tinha sido promovido e iria ganhar o dobro do que ganhava. No final das contas quem é o sujeito da ação?

As coisas não são como parecem ser. È uma das conclusões que tiro desta falta de nexo lógico entre as ações. O que estamos fazendo? Quem esta com quem? Quem é bom e quem é o mau? Quem mente pra quem? Quem trai? Que nos controla? Quem controlamos? Quem manda? Quem desmanda? No fim é patético ser homem. Há algo mais idiota do que a burocracia? Um dia desses em conversa com um amigo, disse pra ele sobre o problema de colocarmos todas as nossas soluções no mundo jurídico e ele me deu uma explicação razoável para este processo. Os homens não confiam nos homens, nem mesmo o pai confia no filho e vice-versa. Os amigos não confiam nos amigos, os primos não confiam nos primos. A desconfiança é absoluta.

Ele deu um exemplo entre nós dois. Eu havia convidado ele para irmos almoçar na minha casa naquele dia. Tínhamos ido a um evento e na hora do almoço lhe chamei para ir até a minha casa. Isto foi combinado previamente no dia anterior. Não fizemos nenhum contrato escrito, foi apenas verbal. Ele confiou na minha palavra e eu na dele. Mas digamos que na ultima hora eu desfizesse o compromisso. O que ele poderia fazer? Absolutamente nada, fizemos um acordo verbal sem testemunhas presenciais. Era a palavra dele contra a minha. Aquele tarde de fome que ele passou, não tinha reparação jurídica. E o mesmo aconteceria caso ele não fosse, nada pior que a visita faltar ao almoço.

No entanto, se tivéssemos feito um contrato, eu poderia descumprir a minha palavra. Ele iria entrar contra minha na justiça e eu seria obrigado a pagar a multa estipulada no contrato, que era o valor de duas semanas de almoços do meu amigo, no seu restaurante de costume. No caso dele quebrar o contrato, ele pagaria o valor de duas semanas da dispensa da minha casa. Este caso é um absurdo, mas no fim das contas é o que fazemos com freqüência no dia a dia. Fazemos contratos estúpidos, pois somos seres desprezíveis capazes de tudo para se dar bem.

Os irmãos Coen sabem muito bem ironizar o comportamento humano, que é um tanto ambíguo e imprevisível. Os seres humanos se tornam idiotas do nada, sem nenhum motivo aparente. Um homem pode ser honesto a vida inteira, isto não é garantia de que nos próximos cinco minutos ele não aceite fazer algo ilícito. É como costumo dizer sempre, todo criminoso já foi um cidadão de bem antes. Isto pode parecer meio idiota, mas é o primeiro argumento dos criminosos. Sou um homem honesto, nunca cometi nenhum crime, tenho a ficha limpa. É o que eles dizem sempre. De fato é verdade, até aquele dia, aquele homem foi honesto. E assim são os homens, um relacionamento tem a sua fase pura, até a primeira traição. Antes de uma mulher ser um saco de pancadas do homem, ela nunca tinha levado um soco. E no fim um idiota, pode cansar de ser idiota e se tornar um grande homem.

Enfim ninguém esta livre de pecar ou de errar. Somos humanos e imprevisíveis. E na maioria das vezes estamos fazendo algo sem sentido ou sem objetivo. E no fim tudo vai ser decidido em uma reunião com pessoas, que você não conhece e nunca viu. Mas são estas pessoas que detêm algum poder de decisão. Elas nem sabem o que estão decidindo e por que, apenas decidem ou apenas fazem. No fim das contas é aquele velho ditado: Não pense, faça. Onde vamos parar com tudo isto? Não importa, o importante é continuarmos o mundo não pode parar. Eu estou no Show business.

3 comentários:

Lucas disse...

Eita texto grande bicho!

Mas vamos aos comentários:

Não acho que seja verdade que o homem não possa confiar no homem. Acredito que ainda existem pessoas boas!

Filmes quando contestam são ótimos!

E se indagar muito sobre a vida não te deixa viver e responder as próprias indagações. Paradóxo? (rs)

Enfim, viva o Show Business. (:


Inté.

Ana Luiza Diniz disse...

interessante.
a qual filme dos irmãos cohen você está se referindo?

admin disse...

Confiança depende muito de fatores relacao x relacao...

e um assunto dificil de analisar




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