Estive pensando sobre a busca da felicidade. Sobre a certeza do amanha. Parece que as pessoas no geral se preocupam demais com a aposentadoria, em ter uma casa pra morar e em ter o que comer. Na velhice ninguém quer saber de se preocupar com dinheiro. Passamos à vida inteira planejando um final confortável e sem muito esforço. Os planos são diversos, as lutas são diárias e os problemas constantes. No fim temos uma única certeza, o medo esta sempre ai, ele é a nossa mola propulsora.
Lembro quando era menino e me diziam, se você não trabalhar ira morar debaixo da ponte. Morria de medo de um dia morar debaixo de uma ponte, como um vádio. Nada podia ser mais assustador do que ter um futuro tão público e miserável. Nesta época qualquer coisa errada que eu fazia vinham às ameaças. O bicho papão iria me pegar e assim foi até eu descobrir que o tal bicho não existia. Depois fiquei sabendo do Diabo, este até hoje eu não sei se existe, mas que ele é usado constantemente como a explicação dos nossos problemas, chego a ficar com pena do Diabo, tudo é jogada na conta dele. Sempre falam: Anota na conta do Diabo, do Cão, do Tinhoso, do Carcará, do Danado.
O engraçado que apesar do medo constante, de vivermos na síndrome do pânico. No fim ou durante a maior parte do tempo “vencemos” passamos por cima dos problemas, com muito custo pagamos todas as contas e prolongamos as que podemos. No fim passamos de ano e de semestre, conseguimos o nosso emprego, o nosso diploma, nosso carro, temos os nossos filhos, nosso companheiro, nossa família. Com um pouco de sorte e suor temos uma vida boa. Estou falando disto, por que conheci uma mulher que tinha tudo isto ou pelo menos era isto que parecia.
A história desta mulher é bem simples, aos dezoito anos casou com o seu namorado, eles já estavam juntos há dois anos. Foi ele, quem tirou sua virgindade. No ano em que eles casaram, ela tinha conquistado sua vaga na faculdade de Medicina. No ano seguinte ela teve uma filha. O marido cuidava de uma das empresas do pai. Dinheiro nunca foi problema, os dois se amavam, viviam bem e felizes. A filha era linda, inteligente e sem nenhum problema grave para a sua idade. Ao formar em medicina esta mulher se especializou e virou cirurgiã plástica. Como dinheiro nunca foi problema, em pouco tempo esta mulher tinha a sua clinica de cirurgia plástica. A sua filha estava em plena adolescência e eles já tinham mais de quinze anos de casado. Eram a verdadeira família americana, podiam até fazer um comercial de alguma margarina.
No entanto, a vida desta mulher como a vida da maioria das pessoas era um castelo de cartas. Esta mulher estava estudando para passar em um seleto grupo de médicos, depois de dois anos de muito esforço ela passou, o resultado saiu. A felicidade era imensa. O sentimento de uma vida perfeita estava vivo neste dia, a filha ficou muito feliz. O marido não a viu pessoalmente, mas por telefone lhe disse o tamanho de sua felicidade. Incrível mas tudo dava certo para esta mulher, ela casou com o homem da sua vida, adorava a sua profissão, tinha uma filha saudável e bonita. O seu circulo social era completo e rodeado de boas pessoas. Uma vida invejável. Até o dia em que ela ficou sabendo o resultado do concurso, apesar de ter passado e estar muito alegre. Esta felicidade não duraria mais do que doze horas. Isto mesmo nem um dia completo durou e não estou falando de uma mera chateação, estou falando de um problema sem solução , sem volta, um sofrimento eterno.
O marido da mulher foi encontrado morto no interior do seu luxuoso veículo. Isto mesmo, assassinado, com dois tiros na cabeça. Se às 18h00min o marido lhe dava os parabéns. Às 10h00min da manha do dia seguinte a Policia ligava pra ela, lhe informando do homicídio cometido contra o seu marido. Não vou entrar no mérito de quem foi e por que o mataram, mas adianto que não se trata de latrocínio. O fato é que a família americana começava a ruir. Dois dias depois, ela descobriu que o seu marido tinha uma amante há cinco anos. Fato contado pela própria concubina sem tirar e nem inventar nenhum detalhe. A mulher quis saber de tudo e a outra não hesitou em contar, as juras de amor, as noites mal dormidas, do noivado, das brigas, de tudo. Sem falar da herança deixada pelo marido, dívidas, muitas dívidas. Negócios sujos também não faltavam, aquele homem ético e cheio de caráter se tornou um verdadeiro canalha. Um canalha mor. A filha tornou aversão ao pai, à mulher começava a pensar no lado positivo do assassinato e a amante foi quem mais perdeu. E agora quem iria sustentar aquele luxo.
Difícil falar da vida, mas entendo que vivemos em uma bolha de sabão, que a qualquer momento pode estourar. E este estouro acontece assim, sem avisar, sem perguntar e sem volta. Uma bolha estourada é pra sempre. O cômico é que não reconhecemos vivermos em uma bolha, muito pelo contrário. Pensamos que estamos seguros que somos capazes de resistir a uma guerra, a uma invasão de extraterrestres. No fim não somos capazes nem de mandar em nossas próprias vidas. Quando o mundo desaba é que vemos a nossa real condição. Não nos damos conta, mas vivemos em um castelo de cartas. A qualquer momento tudo pode desabar, não é que isto vá acontecer. Podemos sim passar por este mundo achando que somos invencíveis, mas sempre acredite, as coisas podem desabar e sem nenhum aviso prévio.
3 comentários:
Pois eh...
Sabe aquela histtória: "Aaah isso não vai acontecer comigo"
Pois eh bem por aí, sempre achamos q pode acontecer com os outros, lamentamos e seguimos em frente, sem nem nos dar conta que pode, poderia, ou poderá um dia ser a nossa vida a desabar!!!
Louco isso, mas faz parte da essência da Vida!
Adoreii o post
bjaum
Conheço essa história do seu amigo "senso comum da porra"...
Realmente edificante saber que vc constrói uma vida pra depois se fuder com categoria.
Melhor sozinho que medíocre.
gostei da crônica.
Muito legal :D
ótimo blog (y)
www.sorvetedemorangoo.blogspot.com
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