O amor tem várias formas de ser demonstrado e vivido. Quando digo amor, estou dizendo afeto, carinho, admiração, consideração é claro que isto tem de ser acompanhado de sinceridade. Pois as pessoas vivem elogiando as outras, mas sem nenhuma dose de franqueza. É como solicitar desculpas por pedir, por mera obrigação social. É uma falta de respeito fazer algo deste tipo, não se pode banalizar a desculpa, só se faz isto, quando realmente estamos arrependidos e faríamos algo pra voltar atrás ou minimizar os erros. Mas vamos esquecer este desleixo dos outros e vamos falar do que interessa, se é que há algo que de fato tenha importância.
O que de fato nos ligam à outra pessoa. Um beijo, um abraço, uma conversa amiga, uma relação de interesses, uma noite de sexo, uma paquera, uma aposta, um namoro, um casamento, um filho, um noivado, uma relação de parentesco, uma amizade. Difícil precisar o que liga um ser humano ao outro. É a famosa pergunta e irritante ao mesmo tempo: Quem é você? Um tanto clichê e inoportuna e sem sentido, mas parece ser importantíssima pra maioria das pessoas. O engraçado que esta pergunta não é nada filosófica, muito pelo contrário, ela é bem prática. É algo como de onde te conheço, você é de que família, de onde vem, quem são seus amigos, enfim você é da minha tribo? O que você pensa ou deixa de pensar não faz diferença, isto é secundário as vezes até insignificante. É como o meu amigo, Bernardo, o fora da lei, vive dizendo: Se queremos entender os seres humanos, desista de ler compêndios filosóficos. Temos de ler capricho, lá que esta a resposta.
Não que eu concorde inteiramente de Bernardo ou discorde completamente. Digamos que eu seja otimista quanto ao ser humano e acredite, que cedo ou mais tarde as coisas vão melhorar, só não me pergunte como e quando e nem por onde. Mas enfim fiquei intrigado um dia desses, pois estava conversando com uma “amiga” e toquei no assunto velado ente nós. Perguntei pra ela se na nossa juventude ela já teve interesse por mim, ou seja, se me via como um homem, cheio de testosterona e de amor pra dar. Ela me respondeu com uma pergunta: Já tivemos algo? Eu respondi que se algo é contato físico, a resposta é não. Ela emendou, pois então, se não tivemos nada é por que não te via desta forma. Depois disto nem quis mais render assunto, achei a resposta dela estúpida e o pior como se fosse tão fácil assim, pois até onde eu me lembro, nunca tinha dado nenhuma investida nela e não bastaria ela estralar os dedos para que eu à agarrasse. Mas não entrei neste mérito com ela, não valia à pena. Apenas refleti com os meus botões. E pra ser sincero, atualmente ela não é nada atraente.
O pior era saber que ela, era a maioria, ou seja, a maiorias das pessoas pensavam assim. Se não tivemos um beijo, uma noite de sexo, não houve nada, além da “amizade”. Isto falando por eufemismo. O que me intrigou nisto tudo é que eu não penso desta forma, pra mim uma conversa amiga ou mesmo uma discussão pode significar muito mais do que uma noite de sexo. Quanta vez se esqueceu o nome de uma mulher com quem se transa a noite toda. Acho que isto acontece com muitas pessoas. No entanto, uma conversa amiga jamais se esqueceu o nome da pessoa. Uma paquera de fato, mesmo que no fim seja mal sucedida. Nunca cai no terreno do esquecimento, do vazio, do que de fato nem existiu. Os amores para serem lembrados, não dependem do sucesso que tiveram e sim da intensidade que foram sentidos. Lembrar de bocas que nunca foram beijadas não é nenhuma vergonha. Pelo contrário, mostra que estamos acima do contato físico, que ligamos para os sentimentos. Desta forma estendemos os nossos sentidos além dos cincos, que não é nenhuma exclusividade de nossa espécie.
E tudo é momento, o grande segredo é lembrar com carinho dos bons momentos. É como tomar uma boa garrafa de vinho, não importa se é Chileno, Francês, Australiano, Português, Argentino, Brasileiro, Italiano. Muito menos o tipo de uva Merlot, Carbenet Sauvignon, Pinot Blanc, Riesling, Malbec. O ano de safra também não importa. De nada adianta tomarmos uma boa garrafa de vinho, se não sabermos saborear, vivenciar o momento, com as pessoas daquele instante. Quem conhece a arte do vinho, entende do que estou falando. O grande segredo não é o que de fato aconteceu e sim o que de fato você sentiu. Isto me parece fazer muito sentido, pelo menos por enquanto.
2 comentários:
Isso me lembrou "De olhos bem fechados", o filme, quando ele se pertuba absurdamente pq ela tinha apenas a lembrança do homem que nunca beijou.
Nossas bocas t dão saudade?
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