quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Adaptação

Há fatos e sentimentos que ninguém nos tira. Não é preciso que a sua musa te corresponda pra que você ame-a. São incontáveis os poemas, músicas, monumentos, expressões artísticas feitas para uma mulher, que nunca se beijou e nem mesmo chegou a corresponder tamanho afeto. Deveríamos fazer o que com estes versos não correspondidos? Jogar fora? Assim ninguém descobre tamanha tragédia em sua vida. Penso que não, penso que Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, Chico Buarque, Caetano Veloso, e entre outros gênios devem publicar suas confusões amorosas independente do resultado final.

Penso que tudo pode mudar e acredito muito naquela máxima: “Nada é tão ruim, que não possa piorar”. Isto se encaixa perfeitamente em tudo o que podemos presenciar. Por isto viva o momento, viva o beijo, viva o segundo. O próximo pode ser horrível. Enfim adaptação ao novo é realmente difícil, ainda mais quando o novo é confuso ou no primeiro momento é bem pior do que o velho. Se lembrarmos da máxima, que as coisas sempre podem piorar, talvez aceitaremos as mudanças com mais facilidade e tentaremos nos readaptar o mais rápido possível. Bundão! Devia voltar a correr...8km por dia. Enfim as coisas sempre foram uma mutação constante ou como gostava de dizer o meu amigo Raul: “Esta metamorfose ambulante”.

Gostaria de entender por que não podemos simplesmente partir. Isto mesmo, partir, como tudo aconteceu, sem maiores respostas e sem maiores explicações. Afinal de contas, quando as coisas começam ninguém explica por quê. Engraçado mas isto é bem aceito por todos, mas o final, este é imperdoável. Deve haver explicações, caso contrário foi falta de inspiração ou é uma verdadeira canalhice. Fico me perguntando, por que um filme não deve explicar o seu início? Por que apenas o final deve fazer sentido? Alias quando alguém não gosta do final de um filme, isto é motivo suficiente para não gostar de todo o resto. Pra mim o início deveria ter sentido e não o final, depois que acabou, pouco importa.

No entanto o ser humano é persistente, principalmente com os erros. Parece que gostamos de carregar o sentimento de culpa, é algo similar ao que acontece em “Crime e Castigo” de Dostoievski. Enfim é a vantagem de errar, nos sentimos culpados começamos a refletir sobre as nossas atitudes, ficamos bons por um tempo e depois erramos novamente. É o que eu sei fazer, diriam alguns, não os culpo. Instinto e natureza são coisas que quase nunca mudamos.

Engraçado, estes dias vi a minha única leitora. Lá estava ela linda como sempre, sorridente e como sempre com ótimos papos. Daí ela falou comigo sobre algumas publicações minha, ela falava de coisas que eu não entendia. Daí pensava caralho eu escrevi isto? Sei que conclui que eu não me entendo, ou seja, não entendo o que eu quero dizer na maior parte das vezes. Engraçado é que a minha única leitora pensa que eu escrevo com lucidez, que entendo tudo o que falo. E na maior parte das vezes não entendo nem o início. Minha única leitora nem leva a sério a minha frase: “Sou um clichê ambulante”. Enfim, melhor deixa-la iludida, por que não?

Estive pensando sobre ser escritor, enfim não sou bom, no máximo sou medíocre. Mas não era sobre a minha qualidade técnica que estava ponderando. Meus pensamentos eram sobre como isto é importante pra mim, mesmo tendo uma única leitora, mesmo sendo mediano e sem nenhum bônus por isto. Isto é trivial no momento, parece que faço isto há anos. Daí conclui que isto já me aconteceu várias vezes e acontece o mesmo com outras pessoas. Vemos-nos preso há algo que nunca esteve em nossas vidas. Há coisas que uma semana ou duas semanas atrás, nem sequer sabíamos da existência. Daí isto é trivial pra nossa existência, algo que há pouco tempo era totalmente sem importância. Vai entender estes seres humanos.

Enfim temos que saber nos desligar. Às vezes gostaria de ser assim como um PC, TV, geladeira, carro, ou seja, uma maquina qualquer, que basta desligar e pronto. Tudo se foi, não há o que pensar ou mesmo o que fazer. Enfim ontem eu era um publicitário famoso, um atleta olímpico, um poeta, um apaixonado, um assassino, um criminoso, um político. Hoje eu sou um carteiro, um policial, um professor, um bom vivan, posso me adaptar há qualquer coisa, nada me impede que eu desligue. Posso dormir a qualquer hora e acordar em qualquer momento que desejar. É dizer o “foda-se” em qualquer momento, em qualquer lugar, em qualquer situação. É ver pessoas mortas o tempo todo. É ter um final definitivo.

Justamente este o ponto, quando é o fim? Tenho uma tremenda dificuldade para identificar quando é o final. Alias de todos os amores que vivi isto é algo que penso sempre. Será hoje a ultima noite de amor, o ultimo beijo, o ultimo abraço, a ultima conversa sincera, o ultimo olhar de carinho, enfim quando é o fim? Não consigo aceitar a máxima: “Nunca sabemos quando é o fim”. Pra mim isto é conversa de derrotado. Eu sei quando é o fim, quando é o próximo passo. Eu não me nego, não escondo o meu destino.

Reconheço que adaptação é um processo profundo. Não é como um pires raso que transborda. É algo que necessita de pouca memória. Caso contrário será vergonhoso a sua adaptação. É como fugir. E não gostamos de fugir, isto não condiz com a cultura social. No fim temos de fazer algo simples é mais fácil viver assim. No entanto, isto é só para quando estamos maduros. Viver é perigoso. Como sempre, não estou conseguindo dizer o que eu quero. Estou tentando adaptar os meus pensamentos para esta publicação, mas não sai nada. Tento colocar um final e como sempre não sei quando é o fim. Nada acontece no mundo real? Pessoas são mortas todos os dias. Diariamente alguém é traído, corrompido, enganado. Enfim, fatos não faltam o problema são os roteiristas ou escritores. Posso amar quem eu quiser. Se me acharem patético. Isto é problema deles, não meu. Você é aquilo que ama, não quem ama você. Foi o que eu decidi há muito tempo.

2 comentários:

DouglasFerT disse...

ADAPTAÇÃO, AMORES PLATÔNICOS, CLICHÊS, QUALIDADE DE ESCRITOR ou DIVAGAÇÕES SOBRE O FIM. do que realmente se trata este post?rs

Vou me abster a apenas duas coisas. A primeira é em dizer que você é um escritor um 'pouquito' acima da média, pelo menos. E deve ganhar um segundo leitor por aqui... ",

Depois, quero falar sobre a adaptação. Não existe coisa, fato ou circunstância a que o ser Humano não se adapte.
Somos mutáveis. POdemos sempre evoluir, andar para frente, para trás, sobreviver ao frio, ao calor, as tristezas e as dores de amor.

Não que MUDAR seja uma coisa simples e fácil. As adaptações costumam ser penosas e deixar marcas. Mas SEMPRE, digo e repito: SEMPRE podemos MUDAR!

Anônimo disse...

Viver é muito perigoso mesmo...mas num sei. Talvez era pra ser exatamente assim.
Não acho que existam escritores medíocres...uma mesagem sempre é passada e algo de bom se tira de qualquer texto. Depende mais do leitor.
Sobre o fim, hum...complicado. Será que realmente sabemos quando é o fim? Eu não sei dizer. Até pq seria muito presunçoso de minha parte querer mapear todo o meu percurso nesse mundo. Nunca se sabe quantas voltas a Terra pode dar até que eu dê meu último suspiro.
Bom texto!