sábado, 5 de junho de 2010

Sem Rabino

Concluir como algo aconteceu é algo impossível. Depois de termos bilhões de habitantes no mundo, depois da revolução verde, das descobertas de Newton sobre a gravitação universal, depois de Einstein e a física moderna, depois do homem ir a lua. As conclusões sobre o princípio da incerteza se tornaram muito obvias, como diria o grande Nelson, obvias ululantes. Então como saber onde tudo aconteceu, foi no olhar, foi ao ligar para o número tal, foi atender a ligação, foi em ser fraco, quando você podia dizer não. E no final de tudo, você esta arrependido. Não consegue apagar o que fez, mas daria tudo para voltar atrás.

Alias eu não sei se já disse ou não, como disse ando perdendo umas das poucas e raras qualidades que eu tenho. Sou um homem que não esquece, talvez não seja mais assim recentemente. O que já tenho para não esquecer é suficiente para não dormir, talvez minha capacidade de armazenamento tenha esgotado ou a minha capacidade psicológica de suportar tudo tenha se esgotado. Mas como estava dizendo, eu não sou judeu. Acredito que esta afirmação, seja um pouco tola. Alias quem é judeu? Poucos e por que eu seria um destes poucos, como dizem o povo escolhido por Deus ou os únicos filhos de Deus. O fato que não tenho um Rabino para consultar e no fim me dar uma resposta para a solução dos meus problemas.

Se não sou Judeu e logo não tenho um Rabino para me dizer o que fazer, como vou resolver os problemas. Talvez eles não necessitem que sejam resolvidos. Podem ficar por soltos pelo mundo. No final das contas são tantos problemas, que um a mais e outro a menos, não ira fazer falta alguma. Tendo uma visão macro de tudo o que acontece é bem simples passar por cima de tudo. Mas o meu arrependimento no meu intimo é algo intransponível, por mais insignificante que ele seja para o restante do mundo. E mesmo assim, não tenho um Rabino, enquanto os Judeus tem vários Rabinos, em primeira, segunda instância, superiores e até o supremo. Sem contar Deus, neste caso todos temos acesso, mas só eles são filhos de Deus.

Matemática é a arte do possível, temos tudo concretamente graças a ela. A física explica como são as coisas, como alguém é atropelado, como alguém é assassinado, mas a matemática diz como lea realmente funciona, mesmo sendo uma ciência abstrata e criada pelo homem. Essa é a coisa pra valer. Alias o que é pra valer? A vida é uma só, como diria o grande Vinicius. Não sei, tenho minhas dúvidas. Sei que a nossa vida pode ruir de uma hora pra outra, toda solidez de anos pode ser abalada em poucos dias. Assim como nós, podemos trair uma amizade de anos e nos perguntar mil vezes por que. E por mais que a gente tente, a resposta não nos vem, matamos e não queremos acreditar.

A arte da conquista é mais complicada do que um simples beijo, uma conversa amiga e choros sinceros. Assim como o amor, que é bem mais complexo do que duas pessoas ligadas fisicamente e espiritualmente. Quantas vezes me deparei com isto, tinha tudo e não tinha nada. Por fim, não conseguia entender com duas pessoas eram tão compatíveis e tão distantes. O contexto também é importante, alias deveras importante. A força que vem de força é tão importante quanto a interna. O fato que não podemos prever o que há na cabeça de ninguém, nem na nossa própria cabeça.

O ser humano é tão imprevisível quanto inconseqüente. Na cabeça do outro é difícil prever o que ele vai fazer  ou o quanto fiel ele vai ser. Alias fidelidade é muito mais utopia que realidade, talvez eu esteja dizendo isto pra justificar a minha falta de ética. Consigo suportar com mais suavidade, quando penso que o que eu faço é tão comum para outras pessoas quanto é pra mim. Sou tão cretino quanto os outros, este argumento é o suficiente para dormir tranqüilo.

Difícil é  chegar até o Rabino e ver que ele não tem a solução dos nossos problemas. Temos a doce ilusão de que o Rabino ou alguém importante tem o dom de facilitar tudo na vida. O fato que todos nós estamos no mesmo barco, alguns conseguem solucionar um problema ou outro, mas problemas de verdade estão ai desde que me entendo por gente. A velhice não carrega só o peso da beleza que vai desaparecendo, ela carrega também os problemas incontornáveis, que vão se acumulando ano após ano.

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