O estimulo é fundamental para os homens fazerem alguns feitos em suas vidas. As vezes fico imaginando como séria se o estimulo das pessoas deixassem de existir. Imaginem só ou melhor, imagine minha única leitora. O que séria do mundo? Não haveria mais criação, não seria mais publicado um único livro, isto mesmo nem um misero livro. Nenhum artigo cultural ou cientifico. Não haveria mais nenhuma nova música, opera, peça teatral, nem um filme, nem mesmo um filme besteirol Americano. Caro leitor, quer dizer minha única leitora pense só no que estou dizendo. Não é só no campo cultural, que isto aconteceria, seria em todos. Não haveria a construção de nenhuma casa, nem mesmo uma casinha de pau-a-pique.
Eu começo a ficar transtornado com a minha própria reflexão. Imaginem, quer dizer imagine minha única leitora. Nem um santo trabalhador indo para o serviço. Nem mesmo o patrão. Todos sem um único estimulo, com o passar do tempo o mundo cairia na inércia e não produziríamos mais nada. Não haveria estimulo nem para o sexo. Alguns dizem que o sexo é para operário, mas eu estou dizendo o pior, o impensável, ninguém, nem mesmo o operário se atreveria a fazer sexo. Só por conta da falta de estimulo. Alguém é capaz de me desmentir, ou melhor, a minha única leitora é capaz de rebater a minha reflexão? Eu penso que não, afinal de contas somos seres, que só realizam algo mediante o estímulo, seja este econômico, espiritual ou mesmo um mero prazer, temos ainda o pseudo-estimulo.
O leitor mais assíduo pode estar se perguntando o que seria um pseudo-estímulo. Já ia me esquecendo, não tenho leitores, tenho uma única leitora. Com nome e endereço, Cláudia Tavares de Souza, residente na Rua Alvarenga Peixoto, nº. 580, Apto 1204, Bairro Lourdes, Belo Horizonte – Mg, Cep 30.180-120. Somos íntimos, às vezes vou até a casa de Cláudia tomar um chá e ficamos por lá proseando. E não pense os intrometidos, que eu já conhecia Cláudia Tavares, porque isto não é verdade. O fato é que nos conhecemos por aqui, pela escrita. Ela se tornou uma leitora assídua de minhas escritas e por curiosidade ou ironia do destino, se tornou a minha única leitora. Já falei isto para ela várias vezes, mas ela teima em dizer, que isto é uma brincadeira minha, finaliza dizendo, que ironia é intrínseca a minha pessoa
Nem tento explicar a mais pura verdade, seria em vão. Minha única leitora, não acredita na veracidade das minhas palavras. Ainda não entendi por que ela me devora. Mas voltemos ao assunto de extrema importância. Falava sobre o estimulo e sua importância para a raça humana. Isto mesmo é vital para a sobrevivência de nossa espécie. Não estou falando nenhuma bobagem. Pense bem, se não temos estímulo para o sexo, não iremos procriar. Se não temos estímulo para cozinhar, não iremos comer. Sem estímulo estaremos fadados a extinção. Isto tudo por conta de uma mudança psicológica, afinal de contas o estímulo nada mais é do que uma situação psicológica, seja ele econômico, egoísta ou pseudo-estímulo.
O pseudo-estímulo é o mais comum na ocorrência dos estímulos. Ele é um estímulo criado em nossas mentes, ele não existe, é um falso lucro, é uma falsa vantagem, que criamos para termos estimulo para a realização de algo. Vou dar o exemplo de mim, por que escrevo? Pelo pseudo-estimulo, que terei milhares de leitores, milhões por que não? Ficarei rico, não chega há tanto, no Brasil escritores não ficam ricos. Irei ganhar uma boa grana, o suficiente para me sustentar, viverei da escrita. Este é o meu pseudo-estimulo. Penso nos leitores, no meu fã-clube, nos meus críticos, ah os críticos, já dizia Mario Quintana: "Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor exclama:"Olha uma borboleta!". O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante da vida, murmura:- Ah! sim, um lepidóptero...", são demais eles. Nas minhas leitoras apaixonadas, que irão fazer até o que Deus dúvida, por uma noite de amor. Só isto, uma noite de sexo selvagem e nada mais. Não vão querer compartilhar a minha fama ou minha grana, somente o prazer ter dormido uma noite com o seu escritor predileto. Os mais assíduos escreverão milhares de cartas pra mim, com sugestões, críticas, proposta de trabalhos conjuntos, enfim este é o meu pseudo-estímulo da escrita.
Com o passar do tempo, meu falso estímulo ira mudar para o estimulo real. E qual é este “real”. Você, isto mesmo. A minha única leitora, que compartilhar comigo tudo o que eu escrevo. Todas as minhas asneiras e sacanagens, que me conhece melhor do que eu. Esta pessoa, que já ouviu várias confusões filosóficas minhas. A minha única leitora é o meu único estímulo real para continuar escrevendo. E se nenhum jornal, editora, ou qualquer meio midiático de massa se propõem a publicar minhas escritas. Não se preocupe minha única leitora, eu publico. E ficamos assim, até que a morte nos separe.
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