Tem coisa que a gente lê ou vê e que ficamos no mínimo fascinados. Assim foi comigo quando vi a seguinte citação: ‘O homem que disse: prefiro ter sorte a ser bom. Entendeu o significado da vida”. Fiquei deslumbrado com a frase, totalmente apaixonado pelo sentido. É no mínimo sensacional tal pensamento é desesperador também, confesso. Afinal de contas, confiar nossa vida inteira na sorte é algo no mínimo arriscado. Quer saber, que se danem os riscos, sempre fui um jogador. Por que não vou jogar com a vida.
Há momentos em que a bola bate no topo da rede e por um segundo ela pode ir para o outro lado ou voltar. Com sorte, ela cai do outro lado e você ganha. Ou talvez não caia e você perca. Neste caso estou falando do tênis. Mas há vários jogos em que é assim, uma questão de sorte, Pura e simplesmente sorte. Vamos pensar no poker. Digamos que a mesa esta com uma aposta alta, a ultima do jogo, um all - in. Restam dois jogadores o primeiro apresentou um four of a kind. Uma jogada quase imbatível no poker o outro tem um dez, valente, dama, rei todos do mesmo naipe, copas. Para um royal flush, a combinação mais alta do jogo, o jogador precisa de um as de copas. Enfim, ele precisa de sorte. Pra qual lado a bola vai cair, vai depender da sorte do jogador.
Isto é muito simples quando estamos falando de jogos, literalmente. Um jogo simples e visível. Poker por mais dinheiro que envolva é bem claro seus limites, assim como os outros jogos. É palpável o seu inicio e o seu fim, independente do resultado final. Sabemos que era um jogo. Mas no nosso dia a dia, este jogo não é claro. Muito pelo contrário, ele é velado, sujo e escondido. É um jogo onde as trapaças são permitidas e não existe o fair-play. Neste caso é feio jogar com sinceridade. Este é difícil de engolir. Pensar que entramos em uma faculdade, nos dedicamos cinco anos pra nos formar, sem contar o tempo do colegial e do cientifico. São no mínimo quinze anos, para no fim a sorte decidir por nós.
Não estou dizendo que não precisamos de dedicação, claro que precisamos disto. Para chegar ao Match Point é preciso suar, mas neste momento, esqueça o seu merecimento, você vai precisar é da sorte. É assustador pensar, que nossa vida é guiada pela sorte e não pela nossa vontade e feitos. Escrito por Deus, diriam alguns com mais fé. É um bom jeito de sair da mediocridade. Pensar que nosso destino é assim, que fizemos o que podíamos, sorte não nos faltou, mas no fim era para ser assim. Alias não acreditar na sorte é um dos maiores motivos para não termos. Afinal de contas, merece sorte um sujeito que não acredita nela.
Subir na vida do único jeito que pode é ter sorte. Vamos pensar num exemplo prático. Ronaldo Luis Nasário de Lima, mais conhecido como “Fenômeno” para os mais íntimos “Fofômeno”. Ele hoje é rico, famoso e pode fazer o que bem quiser de sua vida. Já estava esquecendo de mencionar, ele tem contrato vitalício com a toda poderosa Nike, nem mesmo o meu amigo Jó Soares conseguiu tamanha proeza. No entanto, vamos pensar, ele é tão brilhante assim? Ele realmente joga tanta bola, que justifica tamanho sucesso e estrondo? Com certeza não. Com fidúcia há muito bons como ele. No entanto, ele teve o fundamental. Ele teve sorte, fez os gols que devia, na hora certa, no momento certo, Enfim ele não desperdiçou sua sorte e muito menos duvidou que precisasse dela. Hoje ele é o Ronaldo, eleito três vezes o melhor do mundo, o maior artilheiro em copas do mundo e etc.
Acredito que a sorte é importante em tudo. Já sei, muitos vão dizer: “Não creio em sorte. Só trabalho duro”. Eu vou replicar: “Trabalho duro é essencial, mas todos temem admitir a importância da sorte”. Para mim é justamente este o ponto. É muito duro admitir que a mulher que você é casado há trinta anos, ficou com você, por que os pais dela não aprovaram o namoro anterior. Para ser mais preciso o primeiro namoro dela. O seu foi o segundo e ultimo. Caso contrário, você teria casado com outra e o casamento poderia não ser tão bom quanto o atual. Definitivamente, isto é uma questão de sorte. E os seus três filhos com a sua esposa, teriam os mesmos nomes, o mesmo jeito, as mesmas dúvidas. Enfim é difícil assumir, mas dependemos muito mais de fatores externos, do que internos para termos a vida que temos hoje. E isto se resume a uma única palavra: sorte.
Ter consciência de como a sorte nos afeta. É o mesmo que uma mulher bonita pensa sobre os seus efeitos sobre um homem. Algumas jogadas favoráveis e você pode vencer os melhores. O grande problema é identificar se tivemos ou não sorte. Este é o ponto crucial. A sorte, assim como tudo é ambígua, confusa e sem explicação. Nem sempre ou quase sempre você não vai saber se ganhou ou perdeu. Como já disse, no jogo da vida as delimitações não são claras, não há nenhuma faixa de cal determinando onde começa e acaba o campo. E o apito do juiz nunca é ouvido. O bom senso ajuda, mas não é trivial. O que se pode fazer é reconhecer a sorte e preferir que ele jogue a seu favor.
Esta no lugar errado na hora errada pode ser terrível. O grande problema é saber se isto, aconteceu mesmo. É como já disse Sófocles: "Jamais ter nascido pode ser a maior dádiva de todas". Pensar no obvio ululante é mais difícil do que se pensa. O que acontece quase sempre é pensarmos como panacas. No entanto, acreditamos que estamos pensando pra onde o nariz aponta. Conte com a sorte e não reclame se ela não vier.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Match Point
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3 comentários:
BLOG INTERESSANTE CRA E BEM BOLADO.
isso que vc falou o filme"Match point" do wood allen, o filme retrata sobre a sorte de uma pessoa.
E varias vezes, onde deveriamos ser reconhecidos pelo nosso esforço e dedicação, não são atribuido valores e merecimentos...apenas um breve e snobe comentário: "ele teve sorte"....
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