Muitas vezes já me disseram que sou o do contra. Dizem que a minha posição é sempre contrária a de todos. Sinceramente, não gosto que me classifiquem desta forma, alias não gosto de nenhuma classificação, Mario Quintana dizia: “O estilo é a uma dificuldade de expressão”. Pois então, me classificar é justamente me limitar, me amarrar, me subjugar, me colocar uma camisa de forças. E não estou disposto a ser limitado, já bastam às limitações físicas. Não vou dizer como Nelson, que se limitou ao dizer que era reacionário. Pode até ser que o meu auto-ego, no fim goste de ouvir “Você é do contra”, “Você é um crítico”, tenho de confessar que isto massageia o ego. Mas é uma perspectiva idiota. Não há nada critico em me rotular como “do contra”. Além do mais, não é isto que eu faço.
Não vou tentar necessariamente me explicar, apenas irei levantar alguns pontos para serem refletidos. Primeiro se um caminho pode ser feito como uma linha reta ou como um rio, cheio de meandros. Fico com o segundo. É claro que isto não é sempre. O mais provável é que eu fique com o caminho tortuoso. Este é o ponto, as coisas nunca são pra sempre, as escolhas não são eternas. Há o mais provável, o mais comum, o cotidiano, mas isto não quer dizer que o inusitado vá deixar de existir. Observamos a natureza, ela se comporta quase sempre na sua probabilidade, há o ciclo da água, o ciclo do carbono, existe todo um comportamento regular. No entanto, vemos catástrofes acontecerem, tsunamis, vulcões em erupção, tempestades, furações. Então cadê a regularidade, nem mesmo a natureza é sempre a mesma, há dias bons e os dias ruins. Eu não sou favorável a morte do inusitado, do bizarro, do avesso, do contra e muito menos de mim.
Na verdade me incomoda me posicionar sobre algo, dizer sim ou não, marcar um x. Escolher é sempre a perda de algo. E isto me incomoda. Eu gostaria de ficar em uma posição confortável. Nesta eu não teria que escolher, sofrer, renunciar. Seria como ficar em cima do muro. Pra mim este é o ponto ideal. Não escolher, mas este não opinar, não é uma negativa e muito menos uma afirmação. É a posição na qual não houve nenhuma pronuncia de valor. Neste caso ele não disse nem sim, nem não. Eu prefiro assim, infelizmente esta dádiva não foi me dada. Sempre me vejo na posição de escolher, não consigo chegar à neutralidade. Refletindo sobre o que acabei de falar, vejo que Deus é muito parecido com isto. Deus não se intromete em nossos assuntos, ele nos deu o livre-arbítrio. Fico na curiosidade se isto foi para nos favorecer ou para favorecê-lo, afinal de contas é justamente esta posição, que vejo como o ponto ideal. Não há dor na consciência, não há culpa. Não há participação seja nas vitorias ou nas derrotas. Não há nem mesmo a torcida.
E qual é a minha posição, se não é a esta de não opinar, de me ausentar de qualquer parcela de culpa. Ser do contra como todos dizem? Se todos tivessem uma visão clara da situação eu concordaria com eles, mas não é este o caso. Eu não sou do contra, sou apenas o defensor dos oprimidos, diria em uma visão poética. Mas sem romantismo, apenas defendo lado que ninguém quer defender. E qual é a razão disto. Simples, acredito que as diferenças sejam um dos fatores que mais contribuem para evolução da raça humana. Há outros que pensam o contrário, um bem famoso é Adolf Hitler. Este acreditava na supremacia da raça ariana. Voltaire já dizia: “Posso não concorda com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la”. E este o meu objetivo, defender o lado que esta perdendo, ou mesmo sem defensores. Afinal de contas vivemos em mundo pós-moderno, dito democrático e como dizia Nelson: “Toda unanimidade é burra”.
Um motivo plausível é que gosto de desafios, qual é a graça de torcer para Michael Phelps. Eu não vejo nenhuma. O impossível é que me agrada. Muitas coisas já foram impossíveis, hoje são banalidades. Além do mais imagine, qual seria a graça se todos os seres humanos do planeta terra pensassem da mesma forma. Imagine só que monotomia que seria o mundo, da sono só de pensar. Talvez eu defenda justamente isto as diferenças, a irregularidade, as polêmicas. Sei que isto pode parecer maquiavélico, mas não é esta a minha intenção. Eu simplesmente não sei me calar. Confesso que isto, não é bom o tempo todo, às vezes o silêncio é a melhor resposta ou a resignação. Mas não adianta, não consigo me conter, tenho que me pronunciar sempre que falam aquela frase: “fale agora ou cala-se pra sempre”. Afinal de contas nunca é uma palavra muito pesada, imagine não me pronunciar mais sobre tal assunto, nunca mais. Não sei ser um sujeito mediano. Não sei pensar como a maioria, todo jogo da vida é muito complicado pra mim. Eu resumiria a minha vida no seguinte dilema, um dia, um novo drama ou um dia, um filme.
Como diziam os Mutantes: “Dizem que sou louco, por ser assim, mas louco é quem me diz, que não é feliz, não é feliz”. É justamente este o ponto que incomoda a grande maioria. Não me comporto como eles querem. Sou uma doença, um vírus. Realmente não sei levar a vida sem questionamentos, sem dramas, sem polêmicas. Não consigo levar a vida da mesma forma que um cão. Lembro agora do meu cachorro. Na minha adolescência havia um em minha casa. Sempre o observei e confesso. O animal me incomodava, ele nunca estava preocupado com o seu futuro. Com a vida que levava. Os comportamentos dele eram sempre os mesmos, as manias, irritações e ansiedades não mudavam. Comecei a relacioná-lo com as pessoas, foi nesta hora, que percebi por que eu era considerado do contra. Eu não sabia imitar o cão. O meu grande problema era a falta de simulação e naturalidade em ser um cachorro. Não sabia agir como a grande maioria. Como eu gostaria de ser aquele animal simples e singelo, infelizmente não tive esta sorte, serei eu sempre um ser irracional.
Obs: Trata-se de um desabafo de um eterno desconhecido, não havendo nenhuma proximidade, semelhança ou qualquer coisa parecida com o autor do blog. No caso o autor só teve o trabalho de registrar o choro de um homem brasileiro e ignorado.
2 comentários:
Gosto da parte onde você fala que questiona tudo à sua volta.
Esse tipo de atitude é o que move nações para frente.
O problema é quando a gente questiona sem atitude.
Críticas são bem vindas, mas ações são melhor ainda!
Mas é isso aí Martins, mto bom texto
Realmente ser tachado como " do contra " não é nada agradável, mas é sempre bom encarar uma crítica como uma reflexão.
Parabéns pelo texto!
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