Nestes dias me aconteceu algo inusitado. Minha única leitora ganhou uma “concorrente”, para ser mais preciso, um crítico. Isto mesmo, um crítico. Daqueles bem chatos, rabugentos e que botam defeito
Minha única leitora vem comentando comigo, que quase não falo dela mais, que já me esqueci de sua importância. Tento lhe explicar que isto não é verdade, que me iludo sim com o meu falso estimulo, que tenho muitos leitores, um fã clube, muitos críticos, muitas mulheres que querem passar só uma noite de amor comigo. Enfim é o estimulo para continuar vivendo, em certos momentos preciso me enganar. Mas volto sim à realidade e lá esta ela, minha única leitora, linda, sorridente e sempre com um bom papo. E gosto da minha condição, se não tenho leitores, tenho uma única, que é muito importante e como conseqüência não tenho leitores indesejáveis, com seus comentários impertinentes ou vazios, que nos fazem arrepender de cada linha escrita. Por isto, não reclamo e agradeço por minha única leitora. Mas agora fui surpreendido e ganhei um crítico, ferrenho, feroz, estúpido e muito sincero.
Ao escrever “Destinos diferentes” me veio o crítico, não sei como tomou conhecimento de minha humilde existência e ainda por cima de minhas publicações. Mas por uma intervenção divina ou não, ganho um crítico. Em minha inocência ao conversar com ele. Pergunto meio espantado “Ahh você leu? Um texto meu? Como? Destinos Diferentes? Ahh que coisa, não sabia que era um homem público, mas o que achou?” Fui piegas demais, concordo. Mas fui pego de surpresa é como se envolver em uma trama, que de repente muda todo o seu enredo. Alias muito sábio, quando dizem por ai “O combinado não sai caro”. Neste caso não houve combinação alguma, mal sabia eu, que tinha um crítico, sardento, moribundo e frenético bem a minha frente. Ele por ser um crítico fez tudo de caso pensado é o obvio ululante. Tramou tudo desde o início, primeiro pensou preciso de ler um mau escritor, um bem piegas, cheio de falhas gramaticais e com total falta de coerência e adesão. Para não fazer um serviço pela metade, ele queria um escritor inexperiente, ingênuo e sem leitores, tudo bem podia ter uma única leitora. Eis que me encaixo perfeitamente no perfil previsto pelo crítico, por isto me tornei alvo de sua truculência verbal.
Fiz uma pergunta infantil, o que acha disto? gostou? ficou bom? É tipo de coisa que não se faz com um crítico. Você tem de ignorá-lo, subestimá-lo e não dar a mínima importância para o que ele acha disto ou daquilo. Mas não fiz isto, muito pelo contrário, perguntei, mostrei meu interesse em saber sua opinião. Como crítico ferrenho ele começou aparentemente dizendo um elogio. Disse que era muito bom o tema, forte, explosivo e de total relevância. No entanto, pequei, pois só fui feliz na escolha do tema ao desenrolar a trama fui chocho. Chocho? Perguntei. É disse ele, chocho. Não disse mais nada, não quis dar maiores explicações. Alias eis que o crítico é perverso e adora provocar e dizer pela metade. Ele não gosta de explicar sua critica e nem gosta que elas sejam claras e simples. Quanto mais confuso ele deixar o criticado, melhor e se for possível até mesmo irritado, possesso, pronto pra matar. Neste caso o crítico atinge o seu orgasmo, chega em sua plenitude ao ponto máximo de satisfação e delírio. Neste momento, o crítico se sente autor de uma verdadeira obra prima de importância muito maior do que a própria obra que originou a sua critica.
Alias os críticos dos críticos sempre dizem isto, mas este povo ai não cria só critica. Um grande erro, pois os críticos criam sim. Eles criam algo que seria o oposto de toda criação. Criam à antípoda, a complementação que o autor não seria capaz de cunhar. Ele faz o que poucos tem coragem de dizer, além disto, fala com propriedade, embasado em livros de Platão, David Hume, Aristóteles, Descartes. Assim como nas obras semelhantes, suas influencias antepassadas. O crítico é tão bem embasado, que sempre nos perguntaremos, afinal de contas, por que ele é não é um autor? É tão dedicado, inteligente, criativo e tem tanto conhecimento, seria ótimo como criador, no entanto, preferiu ser crítico. Opressor dos sem talentos, dos maus escritores. Daqueles que como eu, custam a escrever três folhas, que apesar da dedicação e empenho, não saem boas escritas.
Nestes dias ouvi falar do escritor Ryoki Inoue o maior escritor do mundo, isto mesmo. Ele sozinho publicou 1079 livros, dentre eles alguns clássicos e imperdíveis como “E agora Presidente”, “Onde esta Pablo Escobar” e muitos outros. É preciso destacar que ele apesar do nome difícil, não é nenhum norte-americano ou europeu. É um brasileiro, num país onde não se ganha nenhum Nobel e não me venha com o discurso de país subdesenvolvido não ganham o Nobel, pois a Argélia já ganhou, até mesmo as Ilhas Faróe, Irão, República da Macedônia, Mianmar, Trinidade e Tobago, Islândia, o Brasil não, samba e carnaval não ganham nobel só ganha os gringos mesmo que vivem berrando “Rio de Janeiro, cai- pi – ri – nhá (eles falam soletrando) , mulata (como se as norte americanas fossem santas)”, isto atrai turistas não o Nobel. Mas apesar de tudo isto, temos o maior escritor de livros do mundo, recorde registrado no Guinness Book desde 1993, tendo sido médico antes de ser escritor. E se ele é capaz de escrever um bom romance em seis horas, eu até hoje não tenho meu livro. Espero não morrer sem publicar um livrinho, um mero e único livro pelo menos.
Mas agora me sinto completo, tenho minha única leitora e o crítico, sardento, feroz, truculento, que em qualquer desnível de minha parte ira me denunciar, me delatar sem o mínimo pudor. Para o crítico o simples ato de saber da minha existência, de perder o precioso tempo dele com minhas publicações, já é um grande prestígio alcançado por mim, autor. Entre inúmeros e insignificantes autores, consegui o meu crítico mordaz. E assim todos estão felizes, eu, minha única leitora e minha pedra no sapato. E sempre ele vai dizer “Olhe, presto atenção em você, isto não é o máximo”. E assim são os críticos, verdadeiros criadores de todas as obras primas criadas pelo homem.
5 comentários:
Aaaaaaah agora vc não tem só UMA leitora...
Ganhou mais uma.
Seu texto prende a atenção.
Um dia também me apareceu um crítico, confesso que não estava preparada e vi desmoronar as minha palavras que antes eu julgava "escolhidas a dedo", mas veio o tal. Veio e disse que meu texto era egocentrico demais.
Como não era essa a intenção, logíco que fiquei estatelada.
Mas que seja egocentrismo. Que seja pobreza literária. Que seja o que for: Eu sou amadora.
Eu amei seu texto.
Os críticos vão estar sempre de espreita, esperando alguma discordancia ou crindo as que acharem viáveis.
Assim como você, eu também sonho em publicar um unico livrinho que sabe, antes que eu seja varrida pelo pó.
Esou escrevendo um, mas...
confesso que eu demorei visitar seu blog, mas eu tinha me esquecido =/
porém gostei dele, você escreve bem. não tinha ouvido falar de Ryoki Inoue, depois vou procurar.
agora você tem um crítico e duas leitoras, voltarei sempre aqui.
parabéns pelo blog
Ronaldo!!!!!!
Faria!!!!!
Creio que tens um crítico e muitas leitoras!
Na minha opinião críticos são bem vindos, eles são autênticos e de forma ou outra acabam nos ajudando...mas vc acaba de ganhar mais uma leitora...kkkkk... ou talvez quem sabe tb mais um crítico...rsrs
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